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Semente de sequoia gigante plantada no RS esteve na lua, diz a NASA

Após quase 40 anos de indefinições, a NASA reconheceu que a sequoia-vermelha plantada na cidade de Cambará do Sul, RS, já esteve na Lua. A história da árvore, cuja muda foi enterrada no coração da Praça Central São José em 26 de setembro de 1982, finalmente deixa de ser uma lenda urbana para se tornar um fato atestado — sua semente embarcou na missão Apollo 14, realizada pela agência espacial norte-americana em 1971.

Desde quando chegou em Cambará do Sul, a árvore já havia sido classificada como um verdadeiro sucesso, especialmente após o prefeito, Pedro Teixeira Constantino, espalhar rumores sobre a viagem espacial da muda. Por anos, essa história foi contada de geração em geração, enquanto acumulava grupos de descrentes que duvidavam de sua reputação.

Felizmente, a lenda contada na cidade provou-se verdadeira e a placa de madeira encrustada no cercado, com o texto "Sequoia Lunar", teve seu status extraplanetário oficializado pela NASA, que declarou que a semente era uma das centenas de estruturas vegetais que fizeram parte do terceiro pouso de uma nave espacial na Lua. Dessa forma, a árvore gaúcha se junta aos brotos enviados ao antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) — atual sede do IBAMA —, em Brasília, e ao tronco no Parque de Exposições de Santa Rosa, Rio Grande do Sul, como pertencentes à leva de mudas trazidas pela missão.

Uma longa viagem pelo espaço

Segundo relatórios da NASA, a árvore, que hoje já tem cerca de 30 metros de comprimento e 70 centímetros de diâmetro, foi acompanhada, em seu estado de semente, pelo astronauta norte-americano Stuart Roosa, permanecendo em órbita por todas as 34 voltas lunares da missão Apollo 14, realizada entre 31 de janeiro e 9 de fevereiro de 1971. Além de Roosa, integraram a viagem os cosmonautas Alan Shepard e Edgar Mitchell.

(Fonte: NASA / Reprodução)(Fonte: NASA / Reprodução)

Além do Brasil, países como os Estados Unidos, Japão e Suíça contribuíram com o fim da missão espacial, que consolidou uma das primeiras experiências biológicas feitas no espaço ao testar o comportamento de sementes em gravidade zero. Após chegarem na Terra e passarem por laboratórios do Serviço Florestal dos Estados Unidos, elas foram transformadas em cerca de 450 mudas e enviadas para locais específicos, a fim de provar que “a ausência de gravidade não afeta o desenvolvimento biológico da flora”.

“Cinco décadas após a missão que levou as sementes à Lua, as árvores que cresceram a partir das sementes permanecem como testemunhos vivos e frondosos das primeiras viagens da humanidade à Lua, enquanto as plantações cultivadas no espaço desde então permitem a continuação da exploração humana do cosmos”, concluiu a agência norte-americana.

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