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Mistério sobre antiga forma de vida 'alienígena' no Ártico é resolvido

Em 2016, vivendo sob o gelo do Ártico, foi descoberta uma verdadeira cidade de esponjas gigantes, que se desenvolveram nas profundezas das águas geladas da região. Mas, até agora, o que intrigava os cientistas era como esses animais faziam para sobreviver.

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(Fonte: Maksim Romashkin/Pexels)(Fonte: Maksim Romashkin/Pexels)

Novas informações, novas descobertas

As esponjas são consideradas um dos animais mais antigos da Terra. Elas podem ser encontradas em quase que todos os lugares do planeta, incluindo o fundo do Oceano Ártico. A questão é que nesse último caso os cientistas não sabiam como elas se sustentavam.

Recentemente, uma equipe liderada pelo pesquisador e professor Antje Boetius, do Instituto Alfred Wegener em Bremerhaven, na Alemanha, conseguiu enviar câmeras e equipamentos para as profundezas do gelo com o intuito de obter mais dados sobre o que eles definiram como um verdadeiro jardim de esponjas no fundo do oceano.

Analisando as imagens os cientistas notaram que, sob as esponjas, existia uma biomassa composta principalmente por vermes marinhos. Há milhares de anos, gases vazavam de fontes hidrotermais na região, o que criou o habitat perfeito para esses vermes. No entanto, eles morreram entre 2 e 3 mil anos atrás, quando a atividade dos vulcões submersos cessou.

(Fonte: Alfred-Wegener-Institut/PS101 AWI OFOS system/Antje Boetius)(Fonte: Alfred-Wegener-Institut/PS101 AWI OFOS system/Antje Boetius)

Conforme o estudo publicado na Nature Communications em fevereiro deste ano, algumas das esponjas tinham, no mínimo, 300 anos de idade. O resultado das análises também apontou que as bactérias Chloroflexi tiveram um papel importante na degradação dos vermes fossilizados, liberando matéria orgânica para que as esponjas pudessem se alimentar.

Considerando que esse jardim de esponjas vive na região há séculos e agora existem milhares delas, é de se pensar que algum dia a comida vai acabar. Porém, para Teresa Morganti, bióloga do Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha, na Alemanha, que ajudou a analisar o material da equipe do professor Boetius, é muito provável que isso não aconteça, devido ao metabolismo extremamente lento das esponjas.

(Fonte: Alfred-Wegener-Institut/PS101 AWI OFOS system/Antje Boetius/ Reprodução)(Fonte: Alfred-Wegener-Institut/PS101 AWI OFOS system/Antje Boetius)

Contudo, mesmo que os fósseis de vermes não se esgotem tão cedo, esses misteriosos organismos correm risco de sobrevivência, especialmente devido às ameaças imediatas que as mudanças climáticas têm causado na região.

Por outro lado, com o derretimento do gelo, nutrientes da superfície podem chegar ao fundo gélido do Oceano Ártico, tornando o local atrativo para outras formas de vida marinha. 

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