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Quais são as diferenças entre o cérebro humano e o animal?

Sem dúvidas, conseguimos fazer coisas que nenhum outro animal faz. Escrevemos poesia, construímos cidades e até mandamos naves para outros planetas. Enfim, somos considerados a espécie mais inteligente da Terra devido à capacidade do cérebro humano.

Por outro lado, existem algumas diferenças entre o cérebro dos humanos e o cérebro dos outros animais que o torna, inclusive, inferior em alguns aspectos. Veja!

(Fonte: Shutterstock/Reprodução)(Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Cheiro

O olfato humano não é um dos melhores. Mesmo considerando que nossos cérebros sejam maiores em comparação com a maioria dos animais, a parte responsável pelo olfato, o bulbo olfativo, é relativamente pequena.

Os maiores bulbos olfativos entre todos os mamíferos pertencem à cutia e a capivara. Os bulbos dos ursos são cinco vezes maiores que os nossos.

Localização e navegação

Devido à presença de um grande neocórtex, os humanos têm uma alta capacidade de processamento complexo. Por exemplo, coisas relacionadas ao pensamento consciente, linguagem e autoconsciência.

Apesar de todas as proezas que o cérebro humano é capaz de fazer, ele não lida bem com a localização e a navegação por lugares. Algumas espécies de pombo se saem bem melhor nesse quesito, já que possuem uma coleção de células no cérebro que as ajuda a se orientar pelo campo magnético da Terra.

Memória fotografia

Graças à memória fotográfica, o cérebro de muitas crianças consegue memorizar informações. No entanto, quando comparados aos seres humanos, os chimpanzés apresentam o mesmo nível de qualidade que nós temos nesse quesito.

Danos

Os seres humanos carecem de mecanismos que protejam o cérebro de lesões traumáticas. Por outro lado, os pica-paus se adaptaram para evitar esse problema: desenvolveram uma estrutura no crânio com tiras de osso entrelaçadas que absorve o impacto quando estão bicando uma árvore.

Ainda assim, somos especiais!

Apesar de todas as batalhas que perderíamos para o reino animal, a exemplo das citadas acima, o nosso cérebro possui uma série de habilidades cognitivas que são exclusivamente humanas e que nenhum outro animal tem, e é isso que o torna diferente de outros cérebros na natureza. Porém, essas diferenças são muito sutis.

(Fonte: Shutterstock/Reprodução)(Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Suzana Herculano-Houzel, neurocientista brasileira e autora de The Human Advantage, estuda a evolução das habilidades cognitiva do nosso cérebro há alguns anos. 

Segundo a especialista, existem muitos mitos relacionados ao cérebro que estão sendo superados nos últimos tempos. Entre os mais comuns está a alegação de que cérebros maiores são mais inteligentes.

A neurocientista afirma que não é o tamanho que conta e, sim, o número de neurônios. De forma simples, mais neurônios, resultam em mais conexões possíveis. Consequentemente, há um nível maior de inteligência.

Evolução do cérebro humano

A evolução permitiu ao cérebro humano se desenvolver de forma que ficasse maior, inclusive com relação ao nosso corpo, e com mais neurônios. Mas esse princípio não é uma regra, caso contrário, os maiores cérebros animais deveriam ser mais inteligentes que o nosso.

De acordo com Herculano-Houzel, é possível que os neurônios aumentem de tamanho — isso explica a razão de cérebros muito grandes apresentarem menos capacidade cognitiva mesmo sendo maiores que o nosso.

Embora saibamos que muitos dos motivos apontados como fatores que tornavam nossos cérebros únicos não passavam de mitos, ainda há muitas formas pelas quais somos diferentes.

Para os cientistas, elas envolvem leves diferenças em nossos genes, bem como fatores ambientais, culturais, sociais e nossa capacidade de adaptação ao longo de milhares de anos.

Esses aspectos foram essenciais para tornar o nosso cérebro o que ele é hoje. Mas a combinação precisa ser exatamente correta para criar o cérebro humano em sua forma atual.

Agora, os pesquisadores buscam entender como essas diferenças sutis entre o cérebro humano e de outros animais funcionam, o que deverá ser possível em um futuro próximo graças a técnicas de coleta de dados mais robustas e o surgimento de novas tecnologias.

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