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Quando os humanos domesticaram os cavalos?

Cavalos são criaturas magníficas, robustas e que se aproximaram dos seres humanos com o passar dos anos. Afinal, se você considera gatos e cachorros grandes amigos do homem, os equinos também podem reivindicar esse rótulo. Graças a eles, conseguimos transportar mercadorias e pessoas no passado — tudo isso sem contar as inúmeras guerras que obrigamos nossos amigos a participar.

Atualmente, os cavalos ainda têm um papel fundamental em categorias esportivas como o hipismo, como também são aliados do lazer e verdadeiros amores para se ter por perto. Mas de onde veio essa relação próxima entre humanos e cavalos? Essa é uma pergunta que só passou a ser sanada recentemente por pesquisadores. Entenda!

Conexão entre espécies

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Segundo historiadores, os cavalos estão ligados à humanidade desde 2000 a.C., com certos grupos étnicos estabelecendo contato mais cedo do que outros. Atualmente, existem centenas de espécies de cavalos espalhados pelo mundo que, apesar de suas diferenças, são classificados como Equus caballus.

Essas criaturas fazem parte da família moderna dos equídeos, a qual também inclui os burros, zebras e os cavalos selvagens de Przewalski da Ásia Central (Equus ferus). Até recentemente, no entanto, o caminho até a domesticação dos cavalos era bastante turva para a humanidade e muitas perguntas permaneciam sem respostas.

Por exemplo, onde e quando os humanos domesticaram os cavalos pela primeira vez? Essa é uma questão fundamental para entendermos mais sobre nossos antepassados e a maneira como o mundo guinou para outra direção. Em 2010, pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva usaram testes em DNA para obter esclarecimentos.

Análise de DNA

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Ao rastrear o DNA de cavalos selvagens, cientistas descobriram que diversos espécies compartilhavam genes no Estreito de Bering, que fica entre a Ásia e a América do Norte. Isso mostra que o manejo recente feito por pessoas desfez grande parte da diversidade nos genomas dos cavalos, ao mesmo tempo em que adicionava uma série de características específicas para as raças.

O gênero Equus, como o conhecemos, provavelmente surgiu entre 4 milhões e 4,5 milhões de anos atrás no continente que se tornaria a América do Norte — muito antes da linhagem dos Homo. Há também indícios de que cavalos selvagens de Przewalski e os cavalos domésticos só foram se dividir em duas linhas em um período entre 35 mil e 50 mil anos atrás.

Porém, muitas espécies foram extintas há 11 mil anos, Ponte Terrestre de Bering submergiu e os cavalos norte-americanos desapareceram por um tempo — seja por clima, caça ou ambos os fatores. Com isso, os primeiros registros arqueológicos reais de domesticação de cavalos só foi aparecer há 5.500 anos atrás. Em comparação, os cachorros foram domesticados há 15 mil anos, enquanto porcos, ovelhas e bovinos entre 8 e 11 mil anos atrás.

Início da domesticação

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Com 264 genomas de cavalos antigos em mãos, os cientistas chegaram a conclusão de que a terra natal dos cavalos domésticos foi a Eurásia Ocidental ao norte dos mares Negro e Cáspio. Dados indicam que o interesse dos humanos por essas fantásticas criaturas era tanto que diversos grupos os domesticaram independentemente.

Entretanto, apenas a domesticação na região de Volga-Don foi a que vigorou. Cavalos selvagens não eram bons para cavalgar e constantemente apresentavam problemas nas costas. Logo, o fortalecimento dessa parte do corpo do animal com o passar do tempo os tornou uma "ferramenta" útil para a humanidade.

A alteração de um gene chamado ZFPM1 — que é importante na regulação do humor — também tornou os animais da região mais dóceis e mais fáceis de domar. Essas mudanças podem ter sido a chave para a domesticação de cavalos a longo prazo. Em sequência, mais grupos étnicos passaram a experimentar essas criaturas em suas estruturas sociais. E assim os nossos amigos equinos foram sendo moldados para conviver conosco. 

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