Chimpanzés também têm menopausa? Novo estudo afirma que sim

05/11/2023 às 10:002 min de leitura

Além dos humanos, chimpanzés fêmeas também podem passar pela menopausa. A conclusão aparece em um estudo liderado pela Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos, publicado na revista Science no dia 26 de outubro, baseado em um grupo de primatas que vive no Parque Nacional Kibale, em Uganda.

O grupo de chimpanzés selvagens da região de Ngogo é acompanhado há mais de 20 anos pelos especialistas. Ao longo do tempo, eles notaram uma grande quantidade de fêmeas idosas daquela população passando a não se reproduzir mais, contrariando pesquisas que sugeriam a possibilidade de reprodução delas em idades avançadas.

Participante do estudo, a chimpanzé MARL, à esquerda, viveu até os 69 anos. (Fonte: David P. Watts/Kevin E. Langergraber/Kevin Lee/Science/Reprodução)Participante do estudo, a chimpanzé MARL, à esquerda, viveu até os 69 anos. (Fonte: David P. Watts/Kevin E. Langergraber/Kevin Lee/Science/Reprodução)

De acordo com o artigo, a queda na fertilidade da espécie nativa de Ngogo começa por volta dos 30 anos e não foram observados nascimentos após os 50 anos. Outro aspecto levantado pelos autores é que essas fêmeas, assim como os humanos, viviam de forma saudável por mais 10 a 15 anos, pelo menos, após o fim do período reprodutivo.

Nas mulheres, a menopausa costuma ocorrer entre os 45 e os 55 anos, tendo como características o encerramento das funções ovarianas e o declínio dos hormônios reprodutivos. Durante essa fase, podem surgir sintomas como ondas de calor, calafrios e ganho de peso, entre outros.

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Alterações hormonais

Mudanças hormonais semelhantes às encontradas nas mulheres que passam por esta etapa também foram notadas nas chimpanzés na menopausa. A investigação incluiu a comparação dos dados de fêmeas da comunidade com amostras de urina de 66 mulheres em diferentes estágios de suas vidas reprodutivas, dos 14 aos 67 anos.

O resultado mostrou que, assim como nos humanos, os primatas tiveram alterações semelhantes nos níveis de estrogênios, gonadotrofinas e progestágenos. Por outro lado, os pesquisadores descobriram que as duas espécies diferem no comportamento após o fim do período reprodutivo.

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Enquanto as mulheres na pós-menopausa geralmente acompanham de perto o crescimento dos netos, auxiliando seus filhos neste processo, o que ficou conhecido como “hipótese da avó”, as chimpanzés fêmeas de Ngogo agem diferente. Elas não se envolvem na criação dos filhos de seus descendentes, conforme o estudo.

Os autores ressaltam que a vida no Parque Nacional Kibale, uma área remota e não afetada pela caça, caracterizada ainda pela menor exposição aos patógenos de humanos, pode influenciar na expectativa de vida pós-menopausa mais alta deste grupo.

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Baleias têm a mesma capacidade

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Observada pela primeira vez em primatas não humanos, a menopausa também já foi identificada em algumas espécies de baleias. O grupo que apresenta maior longevidade após o fim da capacidade de reprodução inclui as belugas, orcas, falsas baleias-assassinas, baleias-piloto de barbatanas curtas e narvais.

Futuros estudos podem trazer mais esclarecimentos a respeito da evolução da menopausa em animais, auxiliando, por exemplo, a identificar o impacto das ações humanas neste evento biológico.

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