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Baixa gravidade da Lua pode ser boa para plantas em futura tentativa de colonização do satélite

As plantas não só podem crescer na Lua como também se beneficiam da gravidade reduzida por lá. A descoberta, que sugere a possibilidade de cultivar alimentos em futuras missões espaciais, foi apresentada em estudos publicados nas revistas Microgravity Science and Technology e Acta Astronautica em junho e outubro, respectivamente.

O projeto Biological Experiment Payload (BEP) integrou a missão Chang’e 4, que chegou à Lua em janeiro de 2019. A espaçonave chinesa levou sementes de quatro espécies para cultivação, com o crescimento de algodão chamando a atenção à época.

Além de acompanhar o desenvolvimento das plantas, os cientistas da Universidade de Chongqing, na China, queriam saber quais eram os efeitos da baixa gravidade e da radiação na superfície lunar sobre os vegetais. Para comparação, eles realizaram o mesmo experimento em terra, simulando as condições do espaço.

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Getty Images/Reprodução)

Os resultados da pesquisa agora estão disponíveis, mostrando que o cultivo de alimentos não deve ser um empecilho para o desenvolvimento de colônias na Lua e em Marte. Vale ressaltar que outros estudos já haviam demonstrado ser possível alcançar este feito, mas ainda há problemas para resolver.

Sobrevivendo às baixas temperaturas

Conforme os pesquisadores da instituição chinesa, apenas a semente de algodão germinou na Lua. Já no experimento realizado na Terra, simultaneamente, as sementes de canola cresceram junto com as de algodão.

No satélite natural, a maior ameaça foi a noite lunar, iniciada pouco tempo depois do pouso. Durante o período equivalente a 18 dias terrestres, as plantas foram expostas à temperatura de -52 °C, forçando a equipe a fazer o mesmo no experimento em solo.

Experimento transportado pela Chang'e 4. (Fonte: Acta Astronautica/Reprodução)Experimento transportado pela Chang'e 4. (Fonte: Acta Astronautica/Reprodução)

Quando voltou a esquentar, a muda estava de pé, surpreendentemente, segundo os cientistas, enquanto as plantas cultivadas na universidade morreram. O modelo espacial sobreviveu ao segundo dia lunar, estagnando seu crescimento, possivelmente pela falta de oxigênio no compartimento, mas não sobreviveu à noite lunar seguinte.

Os autores acreditam que a baixa gravidade lunar acelerou a germinação da semente de algodão, além de ter desencadeado a resistência ao congelamento. Quanto ao fracasso das demais espécies, é provável que elas não se adaptaram à temperatura reduzida, de acordo com o artigo.

A importância do experimento

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Getty Images/Reprodução)

A capacidade de cultivar plantas na Lua é fundamental para os planos da NASA de estabelecer bases no satélite natural. Com isso, os astronautas que farão parte destes postos terão fornecimento de alimentos constante, não dependendo do envio de suprimentos da Terra.

Posteriormente, a mesma tecnologia deve ser usada em Marte, com o dobro da gravidade lunar, o que pode levar a um efeito semelhante nos vegetais, segundo os pesquisadores, facilitando a criação das primeiras colônias no Planeta Vermelho.

É importante destacar que a segurança das plantas lunares não foi avaliada, sendo necessária uma nova investigação para determinar se elas são saudáveis.

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