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Chimpanzés são flagrados usando táticas militares feitas por humanos

Cientistas recentemente descobriram que chimpanzés utilizam uma tática militar antiga para tomar decisões e evitar confrontos potencialmente fatais com grupos rivais. Os pesquisadores observaram de perto duas comunidades de chimpanzés ocidentais na África que estavam indo para as colinas vigiar umas às outras — muito parecido com as missões de reconhecimento usadas pelos militares.

As informações colhidas por esses animais, então, são usadas para decidir quando entrar no território contestado. Muitas espécies tendem a procurar o perigo em seu habitat, mas essa é a primeira vez na história que os cientistas documentaram uma espécie não humana fazendo uso elaborado de terreno elevado para avaliar o risco num conflito territorial.

Estratégias dos chimpanzés

(Fonte: GettyImages)(Fonte: GettyImages)

No estudo recém-publicado na revista PLOS Biology, o principal autor e professor-assistente de antropologia biológica na Universidade de Cambridge, Sylvain Lemoine, afirmou que o comportamento desses chimpanzés demonstra uma capacidade de metacognição, ou capacidade de refletir sobre seu próprio conhecimento e de agir sobre o que você não sabe para obter mais informações. 

De acordo com o comunicado oficial, o uso de terreno elevado é uma das táticas militares mais antigas na guerra humana. Os chimpanzés, por sua vez, vivem em comunidades que competem por espaço e recursos, e o seu comportamento normal envolve agressão coordenada — incluindo assassinatos ocasionais.

Para avaliar as estratégias adotadas por esses animais, o novo estudo analisou duas comunidades vizinhas de chimpanzés no Parque Nacional Tai, na Costa do Marfim. A equipe, juntamente com estudantes e assistentes locais, acompanharam os primatas durante 8 a 12 horas por dia entre 2013 e 2016, também recolhendo GPS e dados comportamentais.

Análise dos dados

(Fonte: GettyImages)(Fonte: GettyImages)

As informações obtidas pelos pesquisadores mostram que os chimpanzés são mais propensos a escalar colinas quando viajar para as fronteiras do seu território do que para o centro. Enquanto estavam nesses terrenos elevados, eles descansaram tranquilamente, em vez de se envolverem em atividades que impediriam a sua capacidade de ouvir, como notou o estudo.

Os chimpanzés estudados também eram mais propensos a avançar de terrenos elevados para territórios disputados quando os seus rivais estavam longe, sugerindo que usavam as colinas para evitar conflitos. No entanto, eles também podiam usar essa vantagem de terreno para atacar. Segundo Lemoine, quando membros de duas comunidades diferentes se reúnem, o equilíbrio de poder é um fator importante para saber se um dos lados aumenta a violência. Os chimpanzés pareciam capazes de avaliar o custo e o benefício do envolvimento em conflitos, sendo que as colinas ajudavam na tomada de decisão.

Em sua declaração oficial, os pesquisadores afirmaram que as capacidades cognitivas complexas que ajudam os chimpanzés a expandir seu território teriam sido favorecidas pela seleção natural. Isso também sugere potencialmente que as táticas de guerra estão enraizadas na evolução. Logo, os investigadores acreditam que essas características podem ser vestígios de uma proto-guerra em pequena escala que talvez tenha existindo nas populações pré-históricas de animais caçadores-coletores.

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