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Dryas recente: a hipótese de que um meteoro mudou o clima da Terra

Publicado na revista Astrobiology, um estudo feito pelo cientista planetário Gordon Osinski, da Western University, apontou que, da mesma forma que um meteoro massivo dizimou os dinossauros há 66 milhões de anos, um evento anterior similar pode ter impulsionado a vida na Terra ao trazer para o planeta ingredientes necessários para criar as condições ideais para que ela surgisse.

“É tipicamente destrutivo imaginar o que acontece quando rochas de um quilômetro atingem a Terra – é um evento de extinção como o que matou os dinossauros. Porém, se o impacto é inicialmente destrutivo, também fornece os elementos para a vida, criando novos habitats para esta”, disse Osinski em um comunicado à imprensa.

Esse acontecimento mostra como a queda de meteoros massivos ao longo dos séculos pode ter alterado o comportamento da civilização humana. Por isso que a Hipótese de impacto no Dryas recente sugere que uma colisão cósmica causou mudanças climáticas na Terra há 12 mil anos.

Como aconteceu

(Fonte: GettyImages/Reprodução)(Fonte: GettyImages/Reprodução)

O Dryas recente foi um breve período de clima frio que ocorreu no Hemisfério Norte, no final do Plistoceno, há cerca de 12.700 a 11.500 anos, antecedendo o período pré-boreal do Holoceno inicial, em que as temperaturas eram 15 °C mais frias do que a atual. A hipótese de que houve um impacto de um objeto rochoso que mudou as condições daquele período surgiu devido a um regresso rápido nas condições glaciais nas altitudes mais elevadas do hemisfério norte naquele período, contrastando com o aquecimento ocorrido durante a desglaciação interestadial que o precedeu.

Um estudo de 2007 sugeriu um ou mais objetos grandes e de baixa densidade explodiram sobre o norte da América do Norte, desestabilizando parcialmente o manto de gelo de Laurentide e desencadeando o resfriamento do Dryas recente. A onda de choque, o pulso térmico e os efeitos ambientais relacionados aos eventos, como a queima extensiva de biomassa, contribuíram para extinções da megafauna do final do Pleistoceno e mudanças adaptativas entre os paleoamericanos na América do Norte.

(Fonte: GettyImages/Reprodução)(Fonte: GettyImages/Reprodução)

Ou seja, é possível que, devido a isso, os humanos pré-históricos podem ter testemunhado um impacto cósmico catastrófico que causou incêndios florestais generalizados, resfriamento global e a extinção de grandes animais, alguns dos quais podem ter predado humanos. Apesar de ainda não estar claro se o impacto ocorreu, é percebido que, nos séculos após o cometa atingir o planeta, as culturas humanas fizeram amplas transições das sociedades de caçadores-coletores para civilizações baseadas na agricultura.

Cientistas cruzaram essa possibilidade com o que aconteceu há cerca de 12.800 anos com o povo do assentamento de Abu Hureyra, localizado na atual Síria, que alterou radicalmente seus métodos de sobrevivência. Provavelmente, devido a um evento em grande escala, visto que há indícios de que a região se transformou de uma paisagem úmida e florestada com abundância de alimentos para um clima mais frio e árido. Com isso, eles passaram a depender mais de grãos cultivados domesticamente em vez de leguminosas selvagens, frutas e bagas.

A explicação

(Fonte: GettyImages/Reprodução)(Fonte: GettyImages/Reprodução)

Se provada, a colisão cósmica também resolveria a breve era glacial que a Terra experimentou há cerca de 12.900 anos. Um "inverno de impacto", como chamam os cientistas, é causado devido a um resfriamento global que segue à queda de um meteoro. Os incêndios florestais resultantes de sua colisão teriam ejetado material suficiente para a atmosfera para bloquear significativamente a radiação do sol, trazendo um período de frio intenso.

Quando questionados sobre o cometa não ter deixado nenhuma cratera, os defensores da hipótese do impacto argumentam que grande parte do objeto rochoso provavelmente se fragmentou no alto da atmosfera e pode ter atingido uma grande camada de gelo na superfície da Terra.

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