Pesquisa com células-tronco pode alavancar medicina personalizada
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Pesquisa com células-tronco pode alavancar medicina personalizada

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Imagine a possibilidade de saber qual medicamento é o melhor para combater a doença que você tem ou adquiriu, usando as células do seu próprio corpo para testar a eficácia.

O uso da reprogramação celular para produzir neurônios de pessoas com autismo, assim como sua utilização em testes de novos medicamentos, foi tema de debate no 1º Fórum sobre células-tronco da R-Crio — centro de tecnologia celular especializado no armazenamento de células-tronco —, realizado na última semana, em São Paulo.

Pesquisa apresentada pela cientista Karina Griesi, PhD em reprogramação celular pela Universidade de São Paulo e pela Universidade da Califórnia (UCLA), e bióloga do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein, mostra que já é possível testar medicamentos que têm potencial para promover alterações nos neurônios de crianças diagnosticas com autismo. Contudo, uma cura está longe de ser descoberta, já que existem diferentes tipos de alteração no DNA que podem levar ao autismo, como explica Griesi. “Diferente de doenças em que sabemos a causa, no autismo, o transtorno está relacionado a diferentes alterações no genoma, que variam de um indivíduo para outro. No caso do paciente que analisei, a alteração estava no gene TRPC6”.

De acordo com Karina, a descoberta só foi possível após a reprodução in vitro de neurônios desenvolvidos a partir de células-tronco extraídas da polpa do dente de leite de uma criança com autismo, que tinha alterações no gene TRPC6. Segundo ela, a pesquisa contou com a colaboração de cientistas da Universidade de Yale, dos Estados Unidos, que auxiliaram na investigação da presença da alteração em mais de mil pacientes, encontrando a mesma mutação em outros três indivíduos.

“Geralmente, só conseguimos estudar tecidos do cérebro humano após a morte. Uma alternativa encontrada foi a utilização de células animais nos estudos, mas existe uma barreira muito grande entre as espécies. Essa nova estratégia nos permitiu estudar doenças do neurodesenvolvimento como nunca estudamos antes”, ressalta.

Entre as descobertas feitas até o momento, Karina destaca a possibilidade dada pelas células-tronco para testar medicamentos. Após buscar informações na literatura científica, ela conta que o grupo de pesquisadores descobriu que uma substância chamada de hiperforina, presente na erva-de-são-joão, era capaz de ativar a função do gene TRPC6. Ao tratar os neurônios do paciente com ela, conseguiram reverter as alterações encontradas. Ou seja: foi possível testar a medicação nos neurônios gerados in vitro, e verificar se funcionava, antes de ministrá-la. Esse é o princípio da medicina personalizada.

“Os resultados, embora muito promissores, não significam a cura do autismo. Contudo, usar essa plataforma para testar novas drogas em laboratórios, nos ajuda a encontrar novos caminhos terapêuticos para ajudar os indivíduos com o transtorno”.

Via assessoria

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