Relatório sobre perseguição às universidades traz Brasil na capa

Relatório sobre perseguição às universidades traz Brasil na capa

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A quinta edição do relatório que analisa universidades ao redor de todo o mundo com base em acontecimentos que configuram perseguição às instituições trouxe o Brasil pela primeira vez na lista. O Free to Think de 2019 destacou alguns episódios que ocorreram a partir do período eleitoral de 2018.

Elencando dados de ações que dificultam a implementação de pensamento crítico na academia ou ferem o direito à liberdade, o relatório destacou ações governamentais que “têm o potencial de impactar negativamente a educação superior”. Os pesquisadores responsáveis sugerem preocupação quanto ao clima de antipatia gerado à modalidade de ensino.

Ressaltando casos de preconceito racial, homofobia, estupro e censura por supostas motivações políticas, medidas governamentais também não ficaram de fora – como o incentivo de monitoramento em sala de aula de professores que não se alinhassem ao posicionamento esperado.

Foto: Reprodução
Foto: Scholars at Risk Network / Reprodução

Perseguição à liberdade de expressão

Um exemplo citado foi o contínuo incentivo de autoridades para alunos filmarem professores durante as aulas na existência de suspeita de divulgação de ideias de esquerda. Um outro foi a ordem judicial que determinou a retirada de uma faixa feita por estudantes em que se lia "Direito UFF-Antifascista" – junto ao confisco de panfletos com a mensagem "Manifesto em defesa da democracia e das universidades públicas".

A imagem que estampa a capa é uma foto de estudantes protestando no Rio de Janeiro, e os especialistas responsáveis pela publicação – que já teve como destaque países como Irã, Paquistão, Egito e Turquia – afirmam que esses ataques comprometem todo o sistema de ensino superior, prejudicando a qualidade do ensino, da pesquisa e do discurso no campus.

“Invasões policiais nos campi, relatos de minorias sendo ameaçadas e atacadas dentro e fora das instituições e ações orçamentárias e legislativas promovidas pelo Estado para minar liberdade acadêmica e autonomia institucional universitária ganharam força entre líderes que seguem um conceito antidemocrático”, pontuam os autores.

“Discurso crítico não é deslealdade, ideias não são crimes, e todos têm o direito de serem livres para pensar, questionar e compartilhar suas ideias”, finaliza a publicação, que pode ser acessada na íntegra, em inglês, no site Scholar’s at Risk Network.

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