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O que significa o gesto feito por assessor de Bolsonaro?

Na última quarta-feira (25), durante uma sessão do Senado, um gesto de Filipe Martins, atual assessor de política internacional do presidente Jair Bolsonaro, chamou atenção de quem assistia. Isso porque Martins uniu o indicador e o polegar de forma arredondada, no famoso "ok", que também pode ser lido como um palavrão no Brasil.

O momento aconteceu enquanto o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, era criticado pelos senadores pelo baixo desempenho. O assessor então fez o gesto e mostrou desagrado com a situação. Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, mandou que a polícia abrisse uma investigação contra Matins e enfatizou que o assessor deveria ser demitido do governo.

TV SenadoAssessor afirmou que estava arrumando o terno (Reprodução/TV Senado)

O Museu do Holocausto de Curitiba também se pronunciou no Twitter. “É espantoso que não haja uma semana que o Museu não condene, aprove ou renuncie ao discurso anti-semita, ao símbolo nazista ou ao ato do suprematismo, no Brasil em meados de 2021. São ações que vão além quaisquer limites da liberdade de expressão”. Em contrapartida, o assessor de Bolsonaro afirmou estar apenas arrumando o terno.

Mas afinal, o que o gesto significa?

Nos últimos anos, o sinal foi associado como um símbolo utilizado por movimentos de extrema-direita para enaltecer a supremacia branca. A relação surgiu pela semelhança dos dedos médio, anelar e mindinho com a letra W, inicial de white (branco, em português), e dos dedos indicador e polegar com a letra P, inicial da palavra power (poder, em português).

A Liga Antidifamação (ADL), que monitora crimes de ódio nos Estados Unidos, classificou o gesto como uma expressão da supremacia branca e adicionou na lista de símbolos utilizados por extremistas.

Origem

Tudo começou quando o sinal, que antes era visto apenas como um simples "ok", foi alvo de uma piada no fórum online 4Chan. Segundo um usuário, o gesto lembrava as iniciais de "White Power" (poder branco, no português). A piada não parou por aí e atualmente, supremacistas de extrema-direita utilizam o gesto em manifestações racistas nos Estados Unidos.

Em 2019, um homem que fazia parte de grupos de extrema-direita foi condenado por matar 51 pessoas em mesquitas de Christchurch na Nova Zelândia. Ao chegar no tribunal para receber a sentença, o australiano fez o gesto com as mãos para as câmeras.

AtentadoO acusado fez o sinal com as mãos durante o tribunal (Reprodução)

A Liga, no entanto, ressalta que o símbolo ainda é muito utilizado ao redor do mundo para indicar aprovação ou sinal positivo. "É importante não tirar conclusões precipitadas sobre a intenção de alguém que  usou o gesto", disse a organização em comunicado.

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