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Por que o café já foi banido várias vezes ao longo da História?

O café move economias desde o século XIX, e o Brasil é o maior exemplo disso. O país só cresceu e caminhou para o futuro em todos os aspectos possíveis com a exportação do produto, e até hoje sustenta o título de o maior da indústria. Segundo um relatório do Sumário Executivo do Café, de abril de 2022, a produção cafeeira brasileira foi estimada em cerca de 55,7 milhões de sacas de 60 quilos.

Os Estados Unidos seguem sendo o país que mais adquire café dos brasileiros, com 7,7 milhões de sacas, representando um volume em torno de 19,3% do total exportado em 2021.

(Fonte: Reuters/Reprodução)(Fonte: Reuters/Reprodução)

Em 2019, o Instituto brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que 79% dos brasileiros apreciam o café, sendo que 13% da população mundial bebe café, considerado a segunda bebida mais popular do mundo, ficando atrás apenas da água.

Em meio a tanta popularidade e importância do produto, poucos sabem que o café já foi banido várias vezes ao longo da História. 

A bebida do mal             

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

A começar por 1511, quando os próprios muçulmanos sofreram com os efeitos da popularidade do café. O líder de Meca, Khair-Beg, forçou o fechamento de todos os lugares públicos que comercializavam o produto devido ao seu nível pecaminoso e seus efeitos que, supostamente, violavam as leis muçulmanas sobre bebidas.

O motivo para isso, no entanto, foi porque o líder descobriu que sentimentos negativos sobre seu governo se espalhavam pelos lugares onde o café estava presente e era consumido. Essa pode ter sido a ideia mais antiga que foi incorporada na cultura brasileira: falar sobre tudo acompanhado de um bom café.

Já no final do século XVI, quando o café saiu do Oriente Médio e entrou pela primeira vez na Europa, o produto foi recebido com suspeita devido ao seu poder considerado alucinógeno, visto que o excesso de cafeína pode causar nervosismo, tremedeira e arritmia – ainda mais em um tempo em que não havia nenhuma maneira de filtrar ou equilibrar a mistura muito pura.

Contudo, havia um agravante nisso tudo: o café vinha dos muçulmanos, o que levou os padres católicos italianos a afirmarem que a bebida era "satânica", declarando sua proibição imediata. Não é nada irônico que o primeiro empecilho que o produto encontrou tenha sido a religião.

(Fonte: Christ and Pop Culture/Reprodução)(Fonte: Christ and Pop Culture/Reprodução)

Mesmo em meio a essa ideia, os líderes da Igreja pediram ao Papa Clemente VIII para que experimentasse a bebida, e, para a surpresa de todos, ele adorou. O Papa disse que a "bebida de Satanás" era deliciosa demais e seria uma pena permitir que os infiéis a usassem exclusivamente. Portanto, era obrigação dos religiosos batizar e transformá-la em algo cristão. E foi exatamente o que fizeram.

A ameaça do mercado

Cavalheiros reunidos em uma Cavalheiros reunidos em uma "casa de café", em 1668. (Fonte: Rischgitz/Getty Images)

Os cristãos não foram os únicos que se opuseram à entrada do novo produto, o mercado também. A popularização do café representou uma ameaça ainda maior para os comerciantes de vinho e cerveja, que não gostaram da ideia de que as pessoas podiam se reunir para conversar para beberem algo que não fosse alcoólico.

Além disso, o café era uma alternativa para dar um gás nas pessoas, deixá-las mais em alerta, focadas e prontas para o trabalho – tudo o que a cerveja e o vinho não proporcionavam por muito tempo. A maneira que a indústria do álcool encontrou para revidar a ameaça da expansão do café foi apoiando as proibições de governantes, como o imperador prussiano Frederico, o Grande.

No final dos anos 1700, o imperador estabeleceu monopólio estatal sobre as importações de café determinando que, embora a aristocracia pudesse desfrutar do produto, as pessoas comuns estavam vetadas devido aos prejuízos ocasionais que o consumo poderia acarretar.

Frederico, o Grande. (Fonte: Wikimedia Commons)Frederico, o Grande. (Fonte: Wikimedia Commons)

Em uma proclamação que fez, Frederico afirmou a superioridade da cerveja e do vinho sobre o café, colocando em pauta o espírito patriótico ao dizer que muitas batalhas foram travadas e vencidas por soldados alimentados com muita cerveja; salientando que aqueles que optavam pelo café à bebida alcoólica, não eram confiáveis.

Até o dia de sua morte, Frederico alimentou sua campanha contra o café, tecendo críticas e aumentando os impostos cada vez mais para mantê-lo longe das mãos dos plebeus. Foi por esse motivo que, por muitos anos, o consumo de café ao longo da Prússia diminuiu drasticamente.

Desde pena de morte, como no Império Otomano, até o banimento das mulheres que se atravessem a provar a bebida na Europa, o café percorreu um longo caminho até que se transformar no queridinho da economia e das pessoas de maneira permanente.

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