Você conhece a história do cara que quase explodiu o Parlamento Britânico?
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Você conhece a história do cara que quase explodiu o Parlamento Britânico?

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O Halloween foi celebrado pelo mundo recentemente, no entanto, apesar de os historiadores acreditarem que a festa surgiu com os celtas na Irlanda, Grã-Bretanha e no norte da França há cerca de 2 mil anos, a tradição não se solidificou na Inglaterra. Por lá, em vez de as pessoas decorarem as casas com temas de terror e de as crianças saírem às ruas fantasiadas pedindo “doces ou travessuras”, os ingleses aguardam alguns dias e comemoram a Bonfire Night.

A Bonfire Night — ou “Noite da Fogueira” em tradução livre — também é conhecida como “Noite de Guy Fawkes” e é celebrada todos os anos no dia 5 de novembro. Ela marca a data na qual um grupo de homens (um deles era Guy Fawkes) pretendia explodir a Câmara dos Lordes em Londres e, com ela, o Parlamento e o Rei Jaime I, que estaria presente no local com integrantes da família real.

Ataque terrorista frustrado

O “ataque terrorista” deveria ter ocorrido em 1605, mas um dos membros do grupo caiu na besteira de enviar uma carta de alerta a um amigo parlamentar para que ele evitasse o local na data marcada para a explosão. A mensagem foi parar nas mãos do Rei e, com isso, o Parlamento foi vasculhado. Na noite do dia 4 de novembro, Fawkes foi encontrado no porão, sob a sala dos parlamentares, e dezenas de barris de pólvora foram descobertos com ele.

O grupinho do mal

Fawkes foi preso, interrogado, torturado e condenado à morte. Segundo a sentença, o conspirador deveria ter os testículos cortados e o abdome aberto para que suas vísceras caíssem diante de seus olhos antes de ele morrer na forca, mas Fawkes pulou do tablado antes e quebrou o próprio pescoço. De qualquer forma, seu corpo foi cortado em pedaços — que foram enviados aos quatro cantos do reino como aviso aos possíveis traidores.

Confissão assinada por Fawkes

Pois na noite do dia 5 de novembro de 1605, quando o ataque deveria ter ocorrido, fogueiras foram acesas para celebrar a segurança do Rei — e até hoje o costume é repetido em todo o país, acompanhado de fogos de artifício. A tentativa de assassinar o monarca protestante tinha como objetivo reestabelecer o catolicismo no país, e muita gente especula sobre o que teria acontecido se o plano tivesse sido executado com sucesso.

E se...?

De acordo com Dave Harfield, do portal How It Works, a historiadora Sinead Fitzgibbon explicou que, apesar de muitos acreditarem que o plano esteve muito perto de funcionar — já que Guy Fawkes foi descoberto pelos guardas do Rei poucas horas antes de acender o pavio que provocaria a explosão dos barris de pólvora —, investigações apontaram que a coisa não foi bem assim.

Segundo disse, originalmente, o grupo de conspiradores era composto por cinco homens — liderados por Robert Catesby e não Fawkes. Eles planejaram o ataque ao longo de 18 meses, mas, com o passar do tempo, como manter segredo e evitar suspeitas foi se tornando cada vez mais difícil, os cinco acabaram revelando detalhes do complô a amigos e familiares. O resultado disso foi a carta anônima que alertou o Rei, enviada nove dias antes do ataque.

No entanto, caso a conspiração não tivesse sido descoberta e o Parlamento — com o Rei, vários membros da família real e a elite política da Inglaterra — tivesse voado pelos ares, Sinead não pensa que o catolicismo teria sido reestabelecido. Em vez disso, tanto as famílias protestantes no comando do país, como os religiosos da população, teriam promovido uma “caça” aos conspiradores, e os católicos provavelmente sofreriam as consequências do atentado.

Invasões

Sinead explicou que Jaime I havia sido rei da Escócia durante 35 anos antes de assumir o trono inglês — após a morte de Elizabeth I. Portanto, no caso de que ele tivesse sido assassinado, seus antigos súditos provavelmente não reagiriam muito bem, e isso poderia ter resultado em uma invasão escocesa à Inglaterra. Outra teoria é que os espanhóis também poderiam ter se envolvido na bagunça.

Jaime I

De acordo com Sinead, as relações entre a Espanha (católica) e a Inglaterra (protestante) eram pra lá de tensas. Os problemas entre as duas potências começaram com o início da reforma protestante e o divórcio entre o Rei Henrique VIII e Catarina, filha de Fernando de Aragão e Isabel de Castela, e culminou com a tentativa frustrada de invasão espanhola por meio da Armada.

Muitos católicos ingleses ficaram torcendo para que a Espanha insistisse na tentativa de derrubar os monarcas protestantes, mas a intervenção nunca aconteceu porque os espanhóis estavam envolvidos em outras batalhas. Por outro lado, o assassinato de Jaime I poderia ter despertado o interesse de Felipe III, o então monarca espanhol, em colocar algum membro de sua família ou ele mesmo no trono inglês.

Felipe III

Contudo, no fundo, a intenção dos conspiradores era garantir que a Princesa Elizabeth — filha de Jaime I com Ana da Dinamarca — assumisse o trono e se tornasse uma marionete nas mãos de tutores católicos. Em teoria, eles pretendiam converter a menina e, mais tarde, casá-la com algum príncipe católico para, assim, comandar uma nova reforma religiosa na Inglaterra.

Possíveis consequências

Sinead não acredita que o rei espanhol assumiria o trono inglês, nem que os conspiradores conseguiriam fazer com que a princesa subisse ao poder. Para a historiadora, se Jaime I tivesse sido assassinado e seu filho mais velho — que deveria acompanhá-lo no dia do ataque — não sobrevivesse, o mais provável é que as famílias protestantes proeminentes da Inglaterra garantissem que Charles, o próximo na linha de sucessão, fosse coroado.

Charles I

Pois, Charles realmente acabou se tornando rei na Inglaterra, o que significa que o sucesso do plano não teria afetado o curso da História. Além disso, considerando que o plano de colocar Elizabeth no trono tivesse funcionado, como ela não era a herdeira legítima, é possível que o príncipe tentasse derrubá-la ou, ainda, que ela mesma abdicasse da coroa em seu favor.

Efeitos mundo afora

Se o atentado tivesse acontecido, Sinead disse que outros figurões provavelmente morreriam na explosão. Entre eles estaria o filósofo, político e escritor Francis Bacon, que é considerado como o pai da Ciência moderna. Além disso, Jaime I foi patrono de William Shakespeare e, se o rei tivesse morrido, pode que alguns dos trabalhos literários mais importantes do mundo jamais tivessem sido escritos. Aliás, você sabia que Macbeth foi inspirado no ataque frustrado?

Ademais, o estabelecimento de Jamestown, na Virgínia, uma das primeiras colônias britânicas no Novo Mundo, poderia não ter acontecido. Em vez disso, os espanhóis ou franceses poderiam ter chegado por lá antes que os ingleses, e sem os lucros gerados pela colônia, a Grã-Bretanha possivelmente não teria como financiar a colonização das Índias Ocidentais, nem como expandir o seu domínio — o que aconteceu durante o século 19.

Com isso, o Império Britânico jamais teria se formado e, consequentemente, é possível que a Inglaterra nunca chegasse a ter a enorme influência no cenário global que ela hoje. Portanto, é provável que, em vez de o inglês ser o principal idioma internacional, o mundo estaria usando o espanhol ou o francês para se comunicar. Por último, a famosa máscara de Guy Fawkes, muito usada pelo mundo em protestos antigovernamentais, também não existiria.

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