Por que é que algumas pessoas desenvolvem o câncer e outras não?
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Por que é que algumas pessoas desenvolvem o câncer e outras não?

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Como você sabe, em poucas palavras, o câncer nada mais é do que a divisão ou crescimento desordenado de células que acabam invadindo tecidos e órgãos e podem se espalhar para diversas áreas do corpo. Existem mais de 100 doenças associadas a essa enfermidade, e seus tipos correspondem às diferentes variedades de células que existem no nosso organismo.

Acontece que no interior de cada célula do corpo humano existe um gene específico, o BRCA1, que regula a velocidade com a qual o ciclo celular — ou de divisão — acontece, e uma simples mutação pode ser suficiente para bagunçar todo o processo. Contudo, se todos contam com esse gene, por que é que apenas algumas pessoas ficam doentes?

Cortaram o freio!

Segundo Michael Windelspecht — que apresentou uma explicação sobre o tema para a TED —, o câncer pode ser comparado a um acidente de carro. Isso porque o nosso organismo tipicamente consegue regular a velocidade com a qual as células se dividem. No entanto, às vezes, o câncer “corta” o freio desse carro, fazendo com que as células passem a se dividir depressa demais.

Com base nessa explicação, a turminha da Zedem Media criou a animação que você pode assistir a seguir. Infelizmente, o material se encontra em inglês, mas você pode conferir o conteúdo traduzido logo abaixo.

De acordo com Windelspecht, apesar de contarmos com esse mecanismo regulador, às vezes o câncer altera o ritmo com o qual a células se dividem, tornando-o rápido demais. Isso faz com que as células comecem a acumular mutações que, por sua vez, podem fazer com que seu funcionamento passe a ser diferente do original, além de fazer com que os tumores comecem a se formar.

Descontrole

Os tumores podem interferir com os processos naturais que ocorrem no organismo — como a digestão e a respiração, por exemplo —, podendo potencialmente causar à morte dos doentes. Tipicamente, o corpo humano conta com uma série de mecanismos genéticos para controlar o ritmo com o qual a divisão celular acontece, e um desses mecanismos é o gene BRCA1, um tipo de gene conhecido como supressor de tumores.

Normalmente, o processo de divisão celular ocorre de forma ordenada, e no decorrer dele, existem momentos específicos nos quais proteínas — com as produzidas pelo BRCA1 — regulam a velocidade com a qual a célula deve proceder. O gene supressor faz isso ajudando a reparar algumas formas de mutações no DNA. Assim, se o nosso material genético se encontra danificado, o BRCA1 evita que as células se dividam até que a mutação seja reparada.

Dupla operante

Os seres humanos contam com duas cópias do BRCA1 em cada célula do corpo, uma proveniente da mãe e a outra do pai. E o fato de termos dois desses genes é algo bom, já que precisamos de apenas um deles funcionando corretamente para regular o ciclo celular. Contudo, apesar de ambos terem funções semelhantes, isso não significa que as duas cópias do BRCA1 são exatamente iguais.

Em realidade, existem centenas de variações — ou alelos — do BRCA1, e algumas delas regulam o ciclo celular de maneira mais efetiva do que outras. Isso quer dizer que algumas pessoas nascem com mecanismos mais eficazes para reparar e regular o ciclo celular e, em alguns casos, mutações podem inclusive tornar o BRCA1 inoperante.

Quando isso ocorre, as células com DNA danificado acabam se dividindo e, conforme o ciclo continua, elas vão acumulando mutações que as tornam menos especializadas e fazem com que parem de funcionar como deveriam. Caso isso aconteça, então a chance de que essas células se desenvolvam na forma de cânceres é maior.

Embora todo mundo tenha em seus organismos genes — como o BRCA1 — que potencialmente podem provocar o surgimento do câncer, a doença apenas aparece quando eles falham em desempenhar suas funções corretamente. Assim, ter uma versão ineficaz ou mutante do BRCA1 pode aumentar a susceptibilidade de uma pessoa a ter um câncer, tal como dirigir um carro com freios defeituosos pode aumentar o risco de que soframos um acidente.

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