Você já deve ter ouvido em mais de uma ocasião — ou lido em algum lugar — a respeito das experiências fora-do-corpo. Também conhecidas como projeções astrais ou projeções da consciência, elas geralmente são descritas pela sensação de sair do próprio corpo, de poder observar a si mesmo e o ambiente a partir de outra perspectiva.

Esse tipo de manifestação costuma ser descrita por pessoas que praticam técnicas de relaxamento e meditação profunda, por aqueles que passam por experiências de “quase morte” e também involuntariamente. Contudo, apesar de esse ser um fenômeno relativamente “popular”, os cientistas ainda não conseguem explicar exatamente como ele se dá.

Uma nova teoria, no entanto, defende que a explicação para as experiências “fora-do-corpo” involuntárias pode estar no interior dos nossos ouvidos. Mais precisamente, elas podem estar relacionadas com problemas no sistema vestibular (ou órgão gravitoceptor), isto é, no conjunto de estruturas que compõem o ouvido interno e são responsáveis por detectar os movimentos do corpo e para a conservação do equilíbrio.

Possível explicação

De acordo com Amanda Onion, do site Live Science, a teoria de que as experiências “fora-do-corpo” involuntárias podem ser resultado de problemas no sistema vestibular foi proposta por pesquisadores do Hôpital Européen, em Marseille, na França, após a análise dos casos de 210 pacientes que foram atendidos por moléstias no órgão gravitoceptor.

Os especialistas, então, selecionaram os que foram tratados por questões como vertigem e zumbidos recorrentes e infecções de ouvido, descobrindo que, desses pacientes, 14% descreveram ter passado por experiências “fora-do-corpo”. Em comparação, os pesquisadores realizaram o mesmo estudo com um grupo de pessoas saudáveis e sem afecções no sistema vestibular e, dessas, apenas 5% alegaram ter passado por projeções astrais.

A análise apontou que as experiências acontecem com três vezes mais frequência em indivíduos com problemas nessa estrutura do ouvido interno, e a causa das estranhas sensações poderia estar associada com o fato de o cérebro estar recebendo informações conflitivas sobre a movimentação do corpo.

Como problemas no sistema vestibular afetam a orientação espacial e o equilíbrio, os cientistas acreditam que o cérebro acaba recebendo informações incompatíveis e, quando ele tenta fazer sentido dessa “incoerência”, o órgão cria distorções que influenciam a forma como os afetados percebem o próprio corpo e o ambiente onde se encontram. Pelo menos no caso dos pacientes analisados, a maioria alegou ter passado pela experiência apenas após sofrer tonturas.

Mais possibilidades

Segundo Amanda, no passado, as projeções chegaram a ser associadas com psicoses e outros problemas psiquiátricos. Contudo, mais recentemente, alguns cientistas propuseram que as experiências poderiam estar relacionadas a defeitos no sistema vestibular, especialmente após esse estado ser induzido por meio de estimulação elétrica da área do cérebro responsável por processar os estímulos visuais e as informações enviadas pelas estruturas do ouvido interno.

Vale destacar que os problemas de ouvido são apenas uma — possível e plausível — explicação para as experiências, uma vez que outras condições podem dar origem à sensação de deixar o próprio corpo, como as enxaquecas, a depressão e os casos de ataques de ansiedade, por exemplo.