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Cientistas debatem papel de vírus em casos de esclerose múltipla

A esclerose múltipla é uma doença progressiva que afeta mais de 3 milhões de pessoas em todo o mundo e que não possui uma cura definitiva. Ela acontece quando nosso próprio sistema imunológico se volta contra os neurônios e passa a desestabilizar nosso controle sobre o corto. No fim das contas, o impacto pode ser devastador.

Por muito tempo, o que fazia nosso sistema imunológico agir dessa maneira permaneceu um grande mistério e foi objeto de grande debate na comunidade médica. Entretanto, um novo estudo publicado na revista Science em janeiro de 2022 parece ter conseguido se aprofundar nesse tema. Veja só!

Vírus Epstein-Barr

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Segundo o estudo criado pela Universidade de Harvard, existem fortes indícios de que a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV), ou herpes-vírus humano tipo 4, esteja diretamente relacionado aos casos de esclerose múltipla. O EBV é um vírus tão comum que quase todos nós podemos contraí-lo ao longo de nossas vidas.

A maioria de nós nem notará que foi infectado, mas uma parcela dessas pessoas desenvolverá a chamada febre glandular ou mononucleose. A suspeita de que esse vírus está relacionado com os casos de esclerose múltipla existe há décadas, mas essa é a primeira vez na história que pesquisadores conseguiram identificar provas mais definitivas sobre a correlação.

O principal dado veio dos militares dos Estados Unidos, que coletam amostras de sangue de soldados a cada dois anos. Então, uma equipe da Universidade de Harvard decidiu examinar amostras de 10 milhões dessas pessoas para estabelecer se, de fato, existia uma conexão entre o EBV e a esclerose múltipla.

O documento mostra que 955 pessoas foram diagnosticadas com esclerose múltipla. Então, as amostras de sangue regulares se tornaram capazes de traçar o curso da doença. De acordo com os pesquisadores, indivíduos que nunca foram infectados com o vírus Epstein-Barr praticamente nunca contraíram esclerose múltipla.

Ligando os pontos

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

Os dados indicam que o risco da doença aumenta em mais de 30 vezes caso a pessoa tenha sido infectada pelo EBV. A equipe verificou outras infecções, como o citomegalovírus, mas apenas o herpes-vírus tinha uma conexão clara com a doença neurodegenerativa. 

Para atingir certeza máxima nessa relação, os cientistas alegam que ainda será necessário um estudo capaz de impedir que as pessoas contraiam o EBV para ver se isso também previne os casos de esclerose múltipla — o que provaria definitivamente o papel crítico do vírus na doença.

No entanto, já existem pesquisas em andamento que buscam desvendar como esse vírus atua dentro do nosso corpo. Dependendo de qual parte do cérebro ou da medula espinhal for afetada, a esclerose múltipla é uma doença que pode causar dormência, visão turva, dificuldades para andar, fala arrastada e até mesmo danos em memórias e emoções. 

Algumas empresas já estão trabalhando em vacinas contra o EBV, mas é preciso garantir que o imunizante não acionará o sistema imunológico da mesma forma nociva que acontece nos casos de esclerose.

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