A origem do Carnaval: uma festa pagã ou cristã?

A origem do Carnaval: uma festa pagã ou cristã?

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Festa na rua, na avenida, na praia, na cidade. O Carnaval toma conta do país e, apesar de ter quatro dias especificamente dedicados a ele, há cidades em que a folia começa dias ou meses antes. E se engana quem pensa que o Carnaval hoje seja uma festa “profana” — por mais que possa parecer um pouco contraditório, o Carnaval é, sim, uma festa tipicamente cristã, mas que teve raizes em celebrações pagãs.

Foto: Pixabay

Origens do carnaval

Antes mesmo de o Carnaval ser incorporado ao cristianismo, ele já remonta a festas realizadas pelos povos pagãos da Antiguidade, como os gregos, romanos e até mesopotâmicos. Na Babilônia, a Sacéias já despontavam como uma celebração com características do que viria a ser o Carnaval moderno. Na festa babilônica, um prisioneiro era escolhido para substituir o rei durante cinco dias, desfrutando, inicialmente, dos privilégios e do poder real. Mas, a alegria não durava muito e, ao final, o prisioneiro era espancado e executado.

O objetivo da tradição e celebração das Sacéias era, justamente, uma das características herdadas pelo Carnaval, a de inversão do mundo. Até hoje, é comum que no Carnaval as pessoas passem dias fantasiadas ou assumindo papeis sociais diferentes daqueles considerados regulares. As figuras reais da folia também podem ter se originado dessas festas.

O "Carnaval" dos greco-romanos

Na Grécia e Roma antigas, as festas eram regadas a bebida, comida e prazeres carnais e que também tinham ligação com um culto religioso. Entre as celebrações estava a Lupercália, festa romana celebrada em fevereiro que comemorava a passagem de ano enquanto afastava maus espíritos e realizava uma purificação para garantir a fertilidade. De acordo com historiadores, a Lupercália também pode ter sido inspiração para o Carnaval.

O Festival de Ísis, chamada de Navigium Isidis (navio de Ísis), também deixou herança para o Carnaval como o conhecemos. Apesar de ser uma deusa egípcia, Ísis era muito popular entre gregos e romanos e chegou até Roma com suas festas, que incluíam o uso de máscaras com o objetivo de ocultar a identidade dos participantes. Além das orgias e bebedeiras, o festival tinha diversos símbolos pagãos, como o uso de grandes carros que tomavam as ruas anunciando a chegada de Osíris, marido de Ísis.

Navigium Isidis. (Fonte: WikiCommons)

Depois de sobreviver às perseguições, o Festival de Ísis foi proibido no século IV, quando o cristianismo passou a ser considerado a religião oficial do Império Romano. Clandestinamente, no entanto, a festa continuou acontecendo, até que teria sido incorporada pela Igreja Católica Romana na Idade Média.

É festa "real-oficial"!

A oficialização do Carnaval como data cristã veio na virada do século VI para o VII, depois de muitas tentativas por parte dos religiosos de acabar com as celebrações pagãs na Europa. Foi o Papa São Gregório Magno que implantou o início do jejum da Quaresma na Quarta-feira de Cinzas para observar quem praticava o costume pagão e quem havia adotado a prática cristã.

A luta entre o Carnaval e a Quaresma. (Fonte: Peter Bruegel / WikiCommons)

Com o tempo, a Igreja percebeu que seria impossível acabar com os "exageros" realizados em fevereiro e decidiu adotar o Carnaval como data oficial e colocá-lo como parte do ano litúrgico. Assim, a festa estava liberada — moderadamente, é claro — para que as pessoas pudessem desfrutar de alguns "desejos carnais" antes de se entregarem ao período de recolhimento, restrição e jejum da Quaresma. O nome moderno, então, pode ter tido origem no latim “carnis levale”, que significa “retirar a carne”.

(Fonte: Oleg Magni / Pexels)

Hoje em dia, tudo está diferente: são poucas as pessoas que se esbaldam no Carnaval pensando na penitência da Quaresma, mas a festa continua mesmo assim, com a data fazendo parte devidamente do calendário litúrgico cristão. Aliás, você sabe como a data do Carnaval é definida?

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