02
Compartilhamentos

As Meninas: 5 mistérios do quadro mais curioso de Silva y Velázquez

Pintada originalmente em 1656 pelo artista espanhol Diego Rodríguez de Silva y Velázquez (1599-1660), o quadro As Meninas, item integrante do acervo permanente do Museu do Prado, em Madrid, é uma das peças modernas mais curiosas do ramo, e especialistas de todo o mundo ainda estudam seus detalhes para entender o significado das imagens desenhadas.

Conheça abaixo alguns mistérios presentes na obra de arte que a colocam em um patamar acima no quesito curiosidade, tendo em vista a presença de um sentido de realidade característico do Barroco, no qual personagens e efeitos de luz ou sombra dão a impressão de quadros dentro de quadros.

1. A quebra da quarta parede

(Fonte: Museu Nacional Del Prado / Reprodução)(Fonte: Museu Nacional Del Prado / Reprodução)

As Meninas apresenta um jogo de ilusão distinto em que todos os personagens parecem estar encarando o espectador. Porém, o maior detalhe fica por conta da curiosa presença de um autorretrato de Velázquez, que foi representado com aquarela em mãos enquanto olha para o observador e ostenta o símbolo da Ordem de Santiago. Dessa forma, a perspectiva é invertida e, em vez de vermos o retrato pelos olhos do artista, somos uma espécie de ser onipresente capaz de ver o momento de execução da arte em plano cheio.

2. A relação entre os personagens

(Fonte: Museu Nacional Del Prado / Reprodução)(Fonte: Museu Nacional Del Prado / Reprodução)

Além do próprio artista, o elenco de As Meninas inclui as damas de companhia, o guarda, os acompanhantes, a princesa Margarita Teresa, os reis Felipe IV e Mariana de Áustria, dois anões e um cão de raça, que se reúnem em uma espécie de take fotográfico com ares de registro histórico e pessoal. Ao fundo, um quadro — ou seria um espelho? — contrastam em perspectiva, e especialistas sugerem que os reis são o principal foco visual da obra, sendo colocados no lugar do espectador como reais observadores.

3. A perspectiva dos reis

(Fonte: Museu Nacional Del Prado / Reprodução)(Fonte: Museu Nacional Del Prado / Reprodução)

Devido ao jogo de imagens de Velázquez, as figuras de Felipe IV e Mariana de Áustria seguem com sua existência no plano presencial em mistério, já que é praticamente impossível afirmar se estão pintados em um quadro dentro do quadro ou se é um reflexo de algo que apenas o artista é capaz de ver na íntegra. Uma das sugestões mais válidas é de que as figuras reais estariam ao lado do espectador como observadores, levando o público a "passar" um dia no cotidiano de personagens que existiram em contextos verificáveis.

4. A cruz vermelha de Santiago

(Fonte: Museu Nacional Del Prado / Reprodução)(Fonte: Museu Nacional Del Prado / Reprodução)

Outra teoria interessante existente sobre o quadro é que ele foi editado algum tempo após ser finalizado por Velázquez. Isso porque a cruz vermelha de Santiago no peito de seu autorretrato foi concedida apenas em 1659, quase 4 anos depois da obra ter sido entregue em sua versão definitiva. Apesar disso, avaliações recentes indicaram que não há 2 camadas de tinta ou sobreposição de materiais existentes em As Meninas, indicando a possibilidade de um desejo pessoal do artista que foi fundado durante a pintura, digamos assim, e oficializado pela realeza anos depois.

5. O protagonismo do artista

(Fonte: Museu Nacional Del Prado / Reprodução)(Fonte: Museu Nacional Del Prado / Reprodução)

No quadro, é possível observar que os reis aparecem em um plano secundário em relação ao artista, e isso sugere que a proposta de Velásquez não era enaltecer um dia comum da família real no palácio, mas sim reforçar seu ofício e atuar com um papel de protagonista. Supostamente, a ideia era transformar uma pintura com traços realistas em uma obra de arte que operasse como símbolo para a profissão, enaltecendo o pintor como criador de realidades e uma figura tão importante quanto músicos e escritores.

Você sabia que o Mega Curioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.