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Quando o governo dos EUA prometeu menos trabalho e mais lazer

Com o avanço tecnológico proporcionado pela Segunda Guerra Mundial, e todo o cenário sociopolítico que se formou, os norte-americanos conviviam com a ideia de que o mundo estava caminhando para um futuro praticamente distópico, em que não demoraria para que carros voassem — visto que eles já estavam produzindo bombas que poderiam destruir o planeta.

A década de 1960, em meio a Guerra Fria, enalteceu o sentimento de “viver adoidado” nos corações dos norte-americanos, e não é para menos que a época ficou conhecida por seu crescimento econômico acelerado e alto consumismo. Era como se as pessoas quisessem dar sentido àquela iminente sensação de morte que o cenário mundial refletia.

Foi nesse mesmo espírito que os americanos foram informados de que, se trabalhassem muito e cumprissem as regras contratuais, em um futuro não muito distante eles seriam beneficiados com jornadas de trabalho menores do que 3 horas, tendo a possibilidade de desfrutar dos prazeres da vida. Isso porque a tecnologia faria o resto para eles, que só precisariam mover algumas manivelas, como se estivessem no mundo dos Jetsons.

A grande mentira

(Fonte: MasterLife/Reprodução)(Fonte: MasterLife/Reprodução)

Porém, mais uma vez, isso só era o sistema lançando campanhas para motivar as pessoas a trabalhar mais ainda para que esse futuro chegasse cada vez mais próximo — e deu certo, as pessoas produziram mais, e o país cresceu, mas o futuro de descanso jamais chegou.

Enquanto muitos países industrializados modernos têm uma quantidade básica de tempo de férias remuneradas e períodos de feriados pagos, os Estados Unidos não desfrutam dessas leis, nem mesmo quando o assunto é médico.

Segundo o Gizmodo, o país é o único com uma lei federal determinando que as mulheres tenham apenas 12 semanas de licença maternidade. Na Austrália, elas têm 18 semanas garantidas de folga com o pagamento do salário-mínimo federal. Na Alemanha, por outro lado, há uma política de 65% do salário para 14 meses de folga.

(Fonte: The Detroit Bureau/Reprodução)(Fonte: The Detroit Bureau/Reprodução)

Em 1960, os especialistas em produtividade e trabalho estavam certos de que, em 50 anos, os EUA se tornariam uma espécie de "paraíso dos trabalhadores", vivendo às custas do trabalho de robôs e alimentando a utopia do "sonho americano". 

A atual realidade é bem diferente. Na época, a ideia foi tão bem implantada na mente dos cidadãos que se tornou um comportamento antiamericano acreditar que passar tempo com sua família era benéfico para a sociedade. Um homem que fazia isso não correspondia com a realidade.

O famoso jornalista Walter Cronkite disse em rede nacional, em 1967, que os trabalhadores precisavam esperar o ano 2000 para que começassem a desfrutar de uma vida plena de lazer após terem construído o futuro tecnológico da América.

“A tecnologia está abrindo um novo mundo de lazer. Um relatório do governo projeta que até o ano 2000, os Estados Unidos terão uma semana de trabalho de 16 horas e férias de 1 mês como regra”, encorajou Cronkite.

Para sempre enganados

(Fonte: Salon.com/Reprodução)(Fonte: Salon.com/Reprodução)

O cientista político Sebastian de Grazia estimou uma previsão de que, até o ano 2000, seria uma média de 21 horas semanais, podendo diminuir até 16 horas em 20 anos. Para garantir que esse futuro chegasse, sindicatos dos trabalhadores surgiram para garantir o caminho certo das coisas. A cada semana mais curta de trabalho, as pessoas eram inflamadas por uma falsa sensação de progresso, independentemente de como havia acontecido.

Um artigo de 1959 da revista Parade especulou que as pessoas não saberiam lidar com a quantidade de tempo livre, culminando em surtos de depressão extrema e suicídio por falta de sentido em suas vidas.

Já a Associated Press foi esperançosa ao fazer uma hipótese sobre um cenário onde as pessoas que lessem o artigo sobre como era a vida antes do ano 2000 ficariam chocadas por causa da era primitiva de jornada de trabalho.

Mas isso, claramente, nunca aconteceu. Atualmente, o norte-americano é considerado 25% mais produtivo do que era em 2000, e 400% mais produtivo do que em 1950.

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