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Holocausto nuclear: como seria a aniquilação da civilização humana?

A aniquilação quase completa da civilização humana é uma ameaça desde o início da década de 1940, quando os Estados Unidos, Alemanha e União Soviética embarcaram na corrida nuclear para determinar quem produziria uma bomba que poderia selar a Segunda Guerra Mundial.

A disputa continuou entre os soviéticos e americanos de maneira tácita durante todo o período em que se estendeu a Guerra Fria. Em uma matéria de 2017 do The Conversation, o historiador Mattias Eken observou como o medo e consciência do público aumentam e diminuem o tempo todo em relação à ameaça nuclear.

(Fonte: Tunes Ambiental/Reprodução)(Fonte: Tunes Ambiental/Reprodução)

Com o colapso dos soviéticos, disparou o medo que suas armas nucleares fossem parar em mãos erradas por motivos políticos, ainda mais com o início da Guerra ao Terror, a resposta dos Estados Unidos aos atentados do 11 de setembro de 2001.

Em janeiro de 2020, desde que os estudiosos da organização Bulletin of Atomic Scientists moveram os ponteiros do simbólico Relógio do Juízo Final (mantido desde 1947) para 100 segundos para a meia-noite — o mais próximo que já chegamos de uma catástrofe nuclear —, dispararam os pedidos para que as potências mundiais desarmem suas armas de destruição em massa para evitar um holocausto nuclear.

O começo do fim

(Fonte: The Guardian/Reprodução)(Fonte: The Guardian/Reprodução)

Segundo um artigo da Nature de 2020, se o Paquistão, com suas 150 ogivas nucleares, bombardeasse a Índia devido às tensões pela disputada região da Caxemira, dezenas de milhares de pessoas morreriam durante o processo — mas essa perda seria apenas o início do fim da humanidade quando houvesse a retaliação indiana.

Com a fumaça das próprias bombas e das cidades incineradas pairando sobre a atmosfera, o planeta seria envolvido por essa "cortina" de fumaça em questão de semanas, permanecendo lá em cima por anos e em uma altitude que a chuva não poderia dissipá-la.

(Fonte: Quartz/Reprodução)(Fonte: Quartz/Reprodução)

Portanto, a fumaça bloquearia a passagem do Sol, resultando em safras murchando da Califórnia à China, matando de fome cerca de 2 bilhões de pessoas pelo mundo.

O planeta mergulharia no temido inverno nuclear se essa guerra acontecesse entre os EUA e a Rússia que, desde a década de 1980, possuem milhares de ogivas nucleares preparadas para ataques generalizados. Isso seria o suficiente para causar anos de um frio profundo na mais pura escuridão, sem dia e nem noite, com o bloqueio da luz solar.

O inverno nuclear

(Fonte: The New York Times/Reprodução)(Fonte: The New York Times/Reprodução)

Desenvolvido desde 2000 e impulsionado em 2017, o estudo de Brian Toon, físico atmosférico da Universidade do Colorado, foi feito com o objetivo de analisar todas as etapas do inverno nuclear, indo da tempestade inicial até os impactos agrícolas e econômicos.

Ele e sua equipe chegaram à conclusão que a fuligem seria o fator-chave para o quão ruim um inverno nuclear seria. Em 3 anos após a explosão das bombas, no primeiro cenário analisado, as temperaturas globais despencariam 10 °C —  mais do que o resfriamento durante a última Era Glacial, ocorrida há mais de 20 mil anos. Em um segundo cenário hipotético, a temperatura poderia alcançar até 1?°C.

Toon convidou Nicole Lovenduski, oceanógrafa da Universidade do Colorado, para imaginar como os oceanos mudariam em um mundo que rapidamente esfriasse — o contrário do que ela estuda em suas pesquisas.

(Fonte: Nuclear News/Reprodução)(Fonte: Nuclear News/Reprodução)

Lovenduski e sua equipe usaram um modelo climático para simular o cenário de guerra entre EUA e Rússia. Eles descobriram que em 1 a 2 anos após as explosões, o resfriamento global afetaria a capacidade dos oceanos de absorverem carbono, fazendo com que seu pH disparasse e eles se tornassem extremamente ácidos. Toda a vida marinha morreria em menos de 2 anos.

Mas esses não seriam os únicos efeitos. De acordo com um relatório de uma reunião da União Geofísica Americana, de dezembro de 2020, um Niño Nuclear (uma versão em "esteroides" do famoso El Niño) devastaria o Oceano Pacífico poucos anos depois da guerra.

O céu escuro de fuligem faria que os ventos alísios mudassem de direção, e a água se acumulasse no leste do Oceano Pacífico, com secas e chuvas fortes que durariam até 7 anos.

Desolação

(Fonte: Crypto News Review/Reprodução)(Fonte: Crypto News Review/Reprodução)

Jonas Jagermeyr, pesquisador de segurança alimentar do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, em Nova York, usou seis modelos de safra para avaliar como a agricultura seria impactada pelo inverno nuclear.

Ao longo de 5 anos, a produção de milho cairia 13%, a de trigo 11%, e a de soja 17%. O pior impacto seria nas latitudes médias, onde as reservas de grãos acabariam em 1 ou 2 anos devido à nivelação climática.

A maioria dos países não conseguiria importar alimentos de outras regiões devido à quebra das safras. Não foi calculado pelos pesquisadores quantas pessoas morreriam de fome, mas seria a pior fome da humanidade, visto que uma guerra envolvendo menos de 1% do arsenal nuclear mundial destruiria o estoque de alimentos do planeta.

Ainda, eles deixaram claro que essas consequências seriam apenas nos 2 anos após a destruição — até porque, além disso, não haveria mais história nenhuma para ser contada por ninguém.

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