Por que travamos a língua no trava-língua?

Outro dia, minha irmã me propôs um trava-língua: casa suja, chão sujo.

A frase pode parecer simples, mas será que você consegue falar rapidamente sem tropeçar na pronúncia? Um minuto de pausa para tentativas.

E aí, foi tranquilo? Ou soltou algo como: ca-sa su-ja são-ju-so?

Esse tipo de desafio é chamado de trava-língua. Um trava-língua é composto de uma ou várias frases que apresentam palavras com fonemas semelhantes. Um fonema é a menor parte sonora de uma palavra. O desafio dos trava-línguas está em pronunciar corretamente cada termo com clareza e velocidade.

Esse jogo verbal faz parte da cultura de diversos povos e suas “funções” são várias. Podem ajudar em tratamentos de fonoaudiologia, pois auxiliam a melhorar a dicção e a pronúncia das palavras. São usados também em cursos de oratória, justamente por ajudar a desenvolver a melhor dicção ao pronunciar um discurso. Além disso, servem para atividades de descontração e treino de alguns termos em sala de aula, principalmente para crianças em fase de alfabetização.

E por que alguns são tão difíceis?

Como dito, o desafio desses textos consiste em pronunciar cada fonema (menor parte sonora de uma palavra) com clareza e velocidade. 

Os trava-línguas podem ser categorizados, a depender de sua complexidade:

  • simples — têm apenas um fonema consonantal, ou seja, o foco está em uma única letra (ainda que associada a vogais). Por exemplo, “a pia perto do pinto, o pinto perto da pia. Quanto mais a pia pinga, mais o pinto pia”. Note que o foco do desafio recai sobre a letra P.
  • compostos ­— têm mais de um fonema. Por exemplo: “Sabia que o sabiá não sabia assobiar?”. Nessa frase, a dificuldade está na pronúncia de S e B. Aqui, a confusão é ainda maior porque nosso cérebro precisa lidar com dois pontos de articulação, que são a forma como mexemos a boca ao dizer tais termos. Se quiser entender melhor esse ponto, diga “sabiá” prestando atenção na posição da boca ao pronunciar o S: levemente aberta, com dentes quase cerrados e língua próxima do céu da boca. Agora, pronunciando o B: boca que abre e fecha, tocando-se os lábios. Esse troca-troca de posicionamentos ajuda a tornar o trava-língua ainda mais desafiador.
  • complexos — têm fonema e encontro consonantal, ou seja, confusão completa! Por exemplo: “Caixa de graxa grossa de graça”. Nesse trava-língua, precisamos acertar quando pronunciar som de X e som de S, além de acertar sempre o encontro consonantal GR. Quer tentar aí?

Categorias técnicas à parte, esses jogos verbais podem ser usados para diversas finalidades. A melhor delas? A diversão! Até a Alexa, a assistente virtual da Amazon, entrou nessa brincadeira em comemoração ao Dia da Língua Nacional.

Que tal treinar alguns trava-línguas e depois desafiar outras pessoas? Aí vão algumas opções:

  • A aranha arranha a rã. A rã arranha a aranha. Nem a aranha arranha a rã. Nem a rã arranha a aranha.
  • O rato roeu a rica roupa do rei de Roma! A rainha raivosa rasgou o resto e depois resolveu remendar!
  • O doce perguntou pro doce qual é o doce mais doce que o doce de batata-doce. O doce respondeu pro doce que o doce mais doce que o doce de batata-doce é o doce de doce de batata-doce.
  • A vaca malhada foi molhada por outra vaca molhada e malhada.
  • A pia perto do pinto, o pinto perto da pia.
  • Não confunda ornitorrinco com otorrinolaringologista, ornitorrinco com ornitologista, ornitologista com otorrinolaringologista, porque ornitorrinco, é ornitorrinco, ornitologista, é ornitologista, e otorrinolaringologista é otorrinolaringologista.
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