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Cherry Sisters: as irmãs famosas por serem péssimas artistas

Filhas de pai pintor e mãe dona de casa, Addie, Effie, Ella, Lizzie e Jessie Cherry chegaram a Marion (Iowa, EUA) em meados de 1877, após muitas mudanças de estados. A família já tinha um histórico de infortúnios com 2 mortes e 2 filhos que tentaram fugir de casa, sendo que Nathan, de 17 anos, conseguiu.

Em 1893, as irmãs decidiram montar uma banda, com muita cantoria, dança, ensaios poéticos e récitas dramáticas para ganhar dinheiro suficiente para uma viagem até Chicago, onde aconteceria a Exposição Universal ou Feira Mundial de Chicago, que celebraria os 400 anos da chegada de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo. Nesse sentido, há também relatos de que elas decidiram fazer isso para pagar a hipoteca da fazenda onde moravam e saldar outras dívidas familiares.

A grande questão é que as irmãs eram o equivalente a socialite Florence Jenkins, interpretada por Meryl Streep no filme de 2016, cujo sonho era ser uma cantora de ópera, mas tinha zero talento e habilidade para isso.

Um show de horrores                   

(Fonte: Reddit/Reprodução)(Fonte: Reddit/Reprodução)

Naquele ano, as jovens se apresentaram no Daniels Opera House, colocando toda a experiência anterior de produções escolares e religiosas para promoverem um ato musical, fazendo pôsteres e distribuindo-os pela comunidade.

No final da 1ª apresentação, vizinhos, amigos e outros convidados só aplaudiram por educação, e as irmãs ficaram ainda mais exultantes com os US$ 100 da venda de ingressos nos bolsos. Então, simplesmente, elas decidiram que estavam destinadas ao estrelato.

(Fonte: Longreads/Reprodução)(Fonte: Longreads/Reprodução)

Na segunda apresentação, porém, no teatro Cedar Rapids, o público não hesitou em expressar a verdadeira opinião, vaiando-as euforicamente. Um crítico do Cedar Rapids Gazette chegou a escrever: “O conhecimento delas de palco é pior que nada, e elas certamente não perceberam, na noite passada, que estavam se passando por idiotas”.

Indignadas, as irmãs exigiram uma retratação e acusaram o escritor de fazer alegações difamatórias. Ele foi preso, e o jornal propôs que realizassem um julgamento teatral na casa de ópera local para que as irmãs se apresentassem para o júri. E foi isso que aconteceu, mas, para o espanto de todos, o escritor acabou sendo considerado culpado e "sentenciado" a se casar com uma das irmãs — uma típica reviravolta do século XIX, mas ele não chegou a cumprir "a sentença".

A fama infame

(Fonte: Alchetron/Reprodução)(Fonte: Alchetron/Reprodução)

Seguindo à risca a frase de P. T. Barnum, “não existe publicidade negativa”, as irmãs começaram a receber atenção de todo o país, principalmente após condenarem um homem que falava o que todos pensavam. De repente, centenas de pessoas lotaram os teatros buscando ver com os próprios olhos se elas eram tão ruins assim, afinal de contas, apesar de o show fazer mal aos ouvidos, pelo menos provocava risadas no público.

Ao contratarem um agente de vaudeville, em Chicago, que viu nelas a oportunidade de fazer mais dinheiro, as Cherry fizeram turnês nacionais, indo do Kansas a Illinois, faturando tubos de dinheiro. As críticas ruins serviram apenas como combustível, pois os shows delas só lotavam cada vez mais, tornando-se o único espetáculo de vaudeville que não foi recolhido mesmo sendo absurdamente ruim.

Porém, chegou a um ponto que as pessoas não iam mais para assistir, e sim apenas para humilhá-las. As irmãs foram atacadas com frutas e vegetais estragados, bitucas de cigarro e charuto, sapatos e outros tipos de objeto, como latas. Devido a isso, elas passaram a se apresentar atrás de uma tela, para evitar agressões.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Elas deixaram os palcos só em 1903, após 10 anos de carreira, quando Jessie morreu de febre tifoide. As demais irmãs viveram juntas até o fim de seus dias, ainda tentando incursões públicas e sendo ridicularizadas pela mídia.

Para Darryl W. Bullock, autor de The Infamous Cherry Sisters: The Worst Act in Vaudeville, as irmãs Cherry estavam à frente de seu tempo. “Elas eram cinco mulheres que estavam fazendo as próprias coisas e jogando sob suas regras. Elas faziam o que queriam”, escreveu ele. “Elas não iam deixar que homens determinassem o que elas podiam ou não fazer”, segundo Bullock.

Nunca ficou claro se as irmãs acreditavam piamente no talento que tinham ou se só se aproveitaram da situação toda, fingindo o máximo que podiam, para continuar faturando com a própria desgraça.

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