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República velha: os 13 presidentes do Brasil de 1889 até 1930

A Primeira República Brasileira, também conhecida popularmente como a República Velha, foi o nome dado para a primeira fase da república brasileira que durou entre 1889 e 1930. Essa é a fase da política brasileira marcada pela época em que grandes oligarcas dominavam o país por meio de troca de favores — hegemonia chamada de "política do café com leite".

Esse sistema oligárquico só entraria em queda após o Golpe de 1930, quando um movimento armado impediu a posse do presidente já eleito Júlio Prestes e colocou Getúlio Vargas no poder. Porém, enquanto a República Velha durou, o Brasil teve 13 governantes. Foram eles:

1. Deodoro da Fonseca (1889-1991)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Alagoano e militar, o Marechal Deodoro da Fonseca foi o primeiro presidente da Primeira República. Foi líder durante dois mandatos: um provisório (1889-1891) e um constitucional (fevereiro a novembro de 1891). Embora a constituição de 1891 determinasse que os presidentes deveriam ser eleitos por voto direto, a primeira votação após a promulgação da Carta Magna deveria ser feita pelo Congresso Nacional.

Deodoro havia sido comandante do exército no Rio Grande do Sul e participou de conflitos importantes como o cerco a Montevidéu e a Guerra do Paraguai. Por ser amigo de D. Pedro II, teve a legitimidade do seu governo questionada por opositores. Mesmo assim, nunca deu sinais de que tentava restaurar a monarquia.

2. Floriano Peixoto (1891-1894)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

O segundo presidente do Brasil também foi outro alagoano de origem militar. Marechal Floriano Peixoto era veterano da Guerra do Paraguai e havia sido eleito para ser vice-presidente de Deodoro pelo Congresso Nacional. Porém, após seu colega ter tido uma renúncia forçada nove meses depois, tornou-se o presidente efetivo.

Por ser um homem nacionalista, austero e bastante centralizador, ficou conhecido como "marechal de ferro". Embora quisesse a reeleição, negou-se a participar de um golpe articulado por aliados para impedir a posse do civil Prudente de Morais. Durante seu governo, Floriano reprimiu qualquer tipo de estímulo monarquista e incentivou a indústria brasileira.

3. Prudente de Morais (1894-1898)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

O paulista Prudente de Morais teve uma decisão ousada ao assumir o governo brasileiro: reatar as relações diplomáticas com Portugal. Durante seu mandato, estabeleceu a paz no Rio Grande do Sul e se mostrou um verdadeiro opositor da Campanha de Canudos, que aconteceu entre 1896 e 1897.

Foi ele quem aumentou consideravelmente a rede ferroviária no Brasil e também fundou o Partido Republicano Paulista em 1901. Como primeiro civil a chegar ao cargo de presidente, Prudente de Morais representava a ascensão da oligarquia cafeicultura ao poder. 

4. Campos Sales (1898-1902)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

No mandato do paulista Campos Sales, o Brasil conheceu a política de governadores chamada de "política do café com leite" — com predominância de interesses de Minas Gerais e São Paulo. Boa parte do seu governo foi montada por meio do favorecimento político no Congresso Nacional.

Foi Sales quem criou o imposto sobre selos e o do consumo sobre produtos nacionais, o que fez com que saísse do cargo vaiado após os quatro anos de poder. Por todo esse tempo, ele havia tentado combater a inflação e renegociar uma dívida internacional com a Inglaterra para fortalecer o nosso câmbio.

5. Rodrigues Alves (1902-1906)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Com o apoio de Minas Gerais e São Paulo, Rodrigues Alves se tornou o quinto presidente da República Velha em 1902. Quando esteve no poder, revelou-se bastante conservador e colocou-se acima dos partidos. Foi responsável pela reurbanização do Rio de Janeiro e por enfrentar os militares rebeldes durante a Revolta da Vacina em 1904.

Rodrigues Alves acabou sendo o último paulista presidente na República Velha, sendo eleito duas vezes e morrendo antes de assumir o segundo mandato em 1918. Ficou conhecido por sua administração financeira bem-sucedida. 

6. Afonso Pena (1906-1909)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Após três paulistas terem assumido a presidência sucessivamente, o mineiro Afonso Pena deu prosseguimento a política do café com leite com sucesso. Mesmo sendo originário da terra do leite, foi um dos governantes que mais favoreceu o plantio de café no país e incentivou a internacionalização do nosso produto.

Durante sua administração, não se prendeu a interesses regionais e incentivou a construção de mais ferrovias. Além disso, foi responsável por interligar a Amazônia ao Rio de Janeiro por linhas telegráficas.

7. Nilo Peçanha (1909-1910)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Após o falecimento de Afonso Pena no dia 14 de junho de 1909, Nilo Peçanha ficou responsável por dar prosseguimento ao governo até o dia 15 de novembro de 1910. Nascido no estado do Rio de Janeiro, ele foi responsável por instaurar a primeira grande crise na política do café com leite.

Nilo Peçanha apoiava abertamente a candidatura do gaúcho Hermes da Fonseca, e se viu forçado a romper laços com o Partido Republicano Paulista e o Partido Republicano Fluminense, o qual havia sido um dos fundadores. Tentou montar um governo pacifista e interveio em várias rebeliões populares ao redor do Brasil, mantendo o trabalho realizado por Afonso Pena no passado.

8. Hermes da Fonseca (1910-1914)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Logo no início do seu governo, o militar Marechal Hermes da Fonseca precisou enfrentar a Revolta da Chibata, chefiada pelo marinheiro João Cândido. Foi ele quem promulgou a lei do serviço militar obrigatório e contraiu novos empréstimos internacionais para ajudar na produção de café.

Hermes da Fonseca também incentivou a expansão das linhas férreas e telegráficas. Após seu mandato, acabou se mudando para a Europa e só retornou para o Brasil em 1920. Nessa época, foi preso por articular um golpe contra o presidente Epitácio Pessoa.

9. Venceslau Brás (1914-1918)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Com a chegada da Primeira Guerra Mundial, o presidente eleito Venceslau Brás precisou romper relações com a Alemanha e reconhecer o estado de guerra em 1917. Por conta do conflito armado, o Brasil teve grande crescimento industrial para suprir a demanda de produtos que não podiam mais ser importados.

Brás se viu obrigado a participar da guerra após navios brasileiros terem supostamente sofrido ataques de submarinos alemães no dia 26 de outubro de 1917. Ele acabou falecendo em 15 de maio de 1966 aos 98 anos de idade, o que fez dele o presidente brasileiro com a vida mais longa.

10. Delfim Moreira (1918-1919)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Com grande histórico político em Minas Gerais, Delfim Moreira deveria ser o vice-presidente de Rodrigues Alves, mas precisou assumir o cargo após o falecimento do titular que foi vítima da Gripe Espanhola. Ficou no cargo até que convocassem novas eleições — algo definido na Constituição caso o presidente eleito morresse antes da posse.

Por esse motivo, teve um dos governos mais curtos da República Velha. No seu governo, foi representado pelo senador Epitácio Pessoa durante a Conferência da Paz, em Paris, que posteriormente acabaria se tornando o novo presidente do país.

11. Epitácio Pessoa (1919-1922)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Paraibano de nascença, Epitácio Pessoa sempre tentou angariar o apoio dos maiores estados da Federação durante seu governo. As maiores obras do seu mandato incluem a construção de mais de mil quilômetros de ferrovias no sul do Brasil e o Programa de Combate à Seca no Nordeste com a construção de 200 açudes. 

Sofreu grande pressão por fazer um "protecionismo ao Nordeste", o que fez com que ele liberasse novos recursos para os cafeicultores e mais uma vez aumentasse o preço do produto. 

12. Artur Bernardes (1922-1926)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Após ter assumido o governo em 1922, o mineiro Artur Bernardes sofreu com a estratégia de seus adversários, que estavam divulgando cartas falsas nas quais o presidente do Brasil teria supostamente xingado militares. Por isso, a Escola Militar, o Forte de Copacabana e a Guarnição do Mato Grosso se rebelaram quando ele assumiu o governo.

Bernardes foi um dos articuladores da Revolução de 1930 para tirar a oligarquia paulista do domínio federal. Também participou da Revolução Constitucionalista e 1932, mas acabou se exilando em Portugal quando essa falhou.

13. Washington Luís (1926-1930)

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Washington Luís foi o último presidente a tomar posse na República Velha, mas deixou suas marcas. Decidiu suspender o estado de sítio que permanecia no país e aumentou nossas reservas de ouro. Ele também havia definido Júlio Prestes como seu eventual sucessor, que teria que enfrentar o candidato da Aliança Liberal, Getúlio Vargas, nas eleições.

Com a derrota nas eleições, os rio-grandenses se rebelaram e marcharam em direção a São Paulo sob o comando do tenente-coronel Pedro Aurélio de Góes Monteiro. As Forças Armadas depuseram prestes em 24 de outubro de 1930, colocando um fim definitivo a República Velha.

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