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Operação Fantasia: os EUA tentaram bombardear o Japão com raposas

Nada surge por acaso, por isso existe um motivo pelo qual a Agência Central de Inteligência (CIA) decidiu mandar seu homem Edward Lansdale para as Filipinas em 1950 para que ele usasse do folclore local de pânico contra criaturas vampirescas que supostamente andavam pela floresta, para instaurar uma guerra psicológica contra os nativos de grupos rebeldes.

Esse tipo de tática ainda era um recurso das medidas desesperadas tomadas pelos Estados Unidos quando a Marinha Imperial japonesa decidiu atacar o Pearl Harbor e colocar a potência na Segunda Guerra Mundial, em 7 de dezembro de 1941.

Enquanto o patriotismo dos americanos fazia de tudo para contribuir para a causa da guerra, a primeira agência secreta da América, o Gabinete de Serviços Estratégicos (OSS) desenvolvia a Operação Fantasia, que visava invadir o Japão continental com raposas radioativas que brilhavam no escuro.

Um plano ambicioso

(Fonte: Smithsonian Magazine/Reprodução)(Fonte: Smithsonian Magazine/Reprodução)

Parte do plano que envolvia o ataque Doolittle, uma série de bombardeamentos em 18 de abril de 1942 como resposta ao ataque japonês ao Pearl Harbor, incluía atingir os centros industriais do Japão com mais medo, choque e confusão do que bombas.

Sob o lema “Tudo é justo na guerra”, a OSS queria fazer os japoneses tremerem com uma guerra psicológica para mostrar que os americanos conheciam sobre todos seus medos, e isso significava inundar o país com criaturas mitológicas que representassem "presságios de destruição", uma amostra do iminente ataque.

Foi o empresário e especialista em guerra psicológica da OSS, Ed Salinger, que idealizou a Operação Fantasia, em 1943, com a certeza de que o lançamento de raposas infligiria uma série de danos psicológicos nos japoneses porque, em suas palavras, "eles eram sujeitos a superstições, crenças em espíritos malignos e manifestações não naturais que poderiam ser provocadas e estimuladas".

(Fonte: The Atlantic/Reprodução)(Fonte: The Atlantic/Reprodução)

Na mitologia japonesa, as raposas servirem como guardiãs fiéis do deus Inari, protetor do cultivo e do arroz, bem como algumas delas agiram como demônios, assediando humanos com comportamento maligno nas aldeias.

Para inspirar essa faceta grotesca, seria preciso que Salinger fizesse as raposas brilharem no escuro para parecerem sobrenaturais, o que significava que teriam que trabalhar com radiação. Esse foi o aspecto mais perigoso do plano.

Prejudicando a todos

(Fonte: Ripley's/Reprodução)(Fonte: Ripley's/Reprodução)

A OSS começou capturando milhares de raposas vivas na Austrália e na China para pulverizar com tinta luminescente a base de rádio, causando impactos sobre as populações de vida selvagem e ecossistema em todo o mundo, apenas para que fossem submetidas a uma dolorida contaminação para um plano extremamente risível.

A princípio, a OSS recorreu ao veterinário Harry Nimphius, do Zoológico do Central Park, para saber como poderiam fazer a tinta grudar nos pelos do animal, começando os testes a partir de um guaxinim. Dando seguimento ao plano, ironicamente, antes de aterrorizar os japoneses, a Operação Fantasia fez isso com os próprios americanos.

(Fonte: Gigazine/Reprodução)(Fonte: Gigazine/Reprodução)

As pessoas empregadas para pintarem as raposas sofreram com os efeitos da radiação igual as "garotas radioativas" da Primeira Guerra Mundial, que tiveram de anemia a câncer, fora necrose na mandíbula por trabalharem com o material sem proteção adequada. E não parou por aí.

A OSS chegou a liberar 30 das criaturas luminosas em Rock Creek Park, em Washington D.C., para ver se suas cobaias realmente assustariam as pessoas. O sucesso foi considerado esmagador, e em momento algum a agência considerou o quanto aquilo afetou as pessoas que entraram em contato com o animal.

Sumindo na História

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Não contentes com isso, para descobrir como infiltrar as raposas contaminadas no continente japonês, os agentes da OSS lançaram os animais em gaiolas no mar pela Baía de Chesapeake, forçando-as a nadar até a praia — o que deu certo, apesar de boa parte da tinta ter ficado na água.

Salinger não parou diante dos empecilhos apresentados pela operação. Ele continuou tentando incansavelmente várias maneiras, enquanto contaminava tudo com rádio ao seu redor.

Até que em setembro de 1943, a OSS se cansou da Operação Fantasia, que empalideceu conforme os EUA entravam na Era Atômica que encerrou a Segunda Guerra Mundial. 

Demorou até 1950 para que a ideia de um plano de bombardeio usando raposas contaminadas com radiação, desaparecesse do radar da inteligência tática americana.

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