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Túneis secretos de Rio Claro: o mistério arqueológico paulista

Com cerca de 200 mil habitantes, a cidade de Rio Claro, no interior de São Paulo, teria de tudo para ser somente mais um município pacato e comum existente no Brasil. Localizada a 85 quilômetros do Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas e a 173 quilômetros da capital paulista, Rio Claro, no entanto, tem uma história única e bastante peculiar.

Durante a década de 1990, o que deveria ser uma simples reforma em um casarão construído na Rua 6 acabou virando um enorme enigma para os moradores locais. Naquela época, o pedreiro contratado para mexer na arquitetura do lugar acabou descobrindo uma série de túneis secretos espalhados por uma ampla área no subsolo da cidade.

Descoberta dos túneis

(Fonte: Rio Claro Online/Reprodução)(Fonte: Rio Claro Online/Reprodução)

A história toda começou quando a finada Imobiliária Saraiva decidiu adquirir um imóvel na metade do bloco da Rua 6 entre as Avenidas 1 e 2, onde sua nova sede seria construída. Para isso, solicitaram a ajuda de um pedreiro que seria responsável por mudar parte da arquitetura do prédio e abrir uma pequena garagem em um dos cômodos do imóvel.

O que ninguém esperava, entretanto, era que parte do terreno viesse abaixo e uma entrada de tijolos para uma estrutura subterrânea complexa fosse revelada em meio ao grande estrondo que havia ensurdecido a vizinhança. Em questão de instantes, os moradores de Rio Claro descobriram que a cidade abrigava um túnel de 3 metros de altura e que se estendia por 20 metros debaixo de casas e ruas.

Toda essa impressionante estrutura era revestida de granito escuro e começava bem debaixo do quintal da residência. Conforme as escavações foram progredindo, foram também encontrados frascos de remédios, tubos de ensaio e material de farmácia em geral guardados no interior da passarela. A partir disso, diversas teorias e lendas urbanas foram surgindo.

Assunto de décadas

(Fonte: Rio Claro Online/Reprodução)(Fonte: Rio Claro Online/Reprodução)

Como Rio Claro é uma cidade relativamente pequena, é de se imaginar que a recente descoberta de uma sessão de túneis secretos logo viraria um assunto bastante popular entre seus habitantes. Acontece, porém, que essa não era a primeira vez em que o tema virava um tópico importante de conversa no local.

No final da década de 1970, outros trechos dos túneis da rede foram tema de um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) por meio do trabalho da museóloga Marizilda Couto, que viajou de São Paulo para Rio Claro apenas para aprender mais dessa descoberta arqueológica.

Esse estudo da Unesp revelou a existência de pedaços dos túneis subterrâneos por baixo da Praça da Liberdade, caminho que ligava a Igreja Matriz à Igreja do Convento — que acabou se tornando o atual Colégio Puríssimo.

Segundo algumas pessoas, corpos de bebês no interior da galeria teriam sido achados na região abaixo do obelisco no centro da praça no final da década de 1970, mas essa informação nunca foi de fato confirmada. Depois disso, o tema foi esquecido por 2 décadas até a descoberta do pedreiro em 1990. 

Retomada das pesquisas

(Fonte: Rio Claro Online/Reprodução)(Fonte: Rio Claro Online/Reprodução)

Após os acontecimentos na década de 1990, o imóvel continuou inexplorado por mais alguns anos até que, em 2013, acabou sendo adquirido por outro morador de Rio Claro. Essa pessoa, então, decidiu retomar as escavações para ver se ainda encontraria algo de intrigante nos túneis da cidade.

Ao perfurar um dos cômodos da casa, para sua surpresa, foi encontrada uma impressionante sala de 5 metros de altura com teto abobado. Uma das paredes do quarto parecia conter um altar e uma caixa enferrujada metálica presa à parede — o que parecia ser a alavanca de um elevador. 

Essas descobertas foram chave para um dos maiores mistérios do estado de São Paulo e talvez do Brasil. Mesmo que Rio Claro pareça apenas uma cidade comum, o subsolo dela é repleto de túneis secretos interligando igrejas, residências, escolas e locais históricos.

Teorias sobre os túneis de Rio Claro

(Fonte: Thales Veiga/Orgulho de Ser Paulista)(Fonte: Thales Veiga/Orgulho de Ser Paulista)

As teorias e lendas urbanas que correm por Rio Claro a respeito dos túneis secretos da cidade são uma mais curiosa que a outra. Há quem diga que a rede complexa subterrânea tenha sido esconderijo de escravizados e ajudava na fuga de abolicionistas — visto que o município é tido como um dos primeiros no Brasil a libertar os escravos.

Porém, também existem aquelas histórias mais conspiratórias, que dizem que os túneis eram usados para rituais satânicos, servindo de abrigo para uma "arca sagrada" ou até mesmo como esconderijo para a "cabeça de São João Batista" — santo da Igreja Católica homenageado pelo município e que foi decapitado.

Absolutamente todo tipo de tópico já foi questionado, incluindo a possibilidade de se tratar de um centro para rituais maçônicos ou de um esconderijo para extraterrestres. Porém, a verdade é que os túneis de Rio Claro nunca receberam um estudo profundo e de metodologia científica complexa, o que causa ainda mais curiosidade entre os habitantes locais.

Justamente por essa falta de informações mais detalhadas dessa estrutura arqueológica, é impossível determinar para que serviam os túneis, então qualquer palpite não passa de mera especulação.

Atualidade e futuro das pesquisas

(Fonte: Rio Claro Online/Reprodução)(Fonte: Rio Claro Online/Reprodução)

A teoria mais plausível sobre os túneis secretos de Rio Claro diz que eles teriam sido construídos no século XVIII ou em meados do século XIX. O motivo dessa conclusão é que a residência do Barão de Porto Feliz, onde foram realizadas as primeiras escavações, foi construída em 1864.

Também é importante ressaltar que outros prédios importantes da rede de túneis foram fundados ou reformados nesse período, como o caso da Igreja Matriz — reformada em 1869. Uma observação importante é que 25 locais dessa rede tiveram seus prédios destruídos e sobrepostos por outras obras de engenharia mais recentes.

Resumindo, outras possíveis entradas ou passagens foram lacradas propositalmente ou escondidas por outras estruturas. Outro fato curioso de se comentar é que o assunto simplesmente sumiu do interesse público nos últimos anos e nenhum princípio de novas investigações teve início. Portanto, é difícil imaginar quando teremos resposta sobre esse bizarro mistério.

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