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Edifício Joelma: 50 anos da tragédia que matou 187 pessoas

Há 50 anos, no dia 1° de fevereiro de 1974, ocorreu em São Paulo uma das maiores tragédias já registradas no Brasil: o incêndio do Edifício Joelma, na época um moderno arranha-céu de 25 andares localizado na nos fundos da Rua Santo Antônio número 225, na lateral da Praça das Bandeiras com a Avenida Nove de Julho.

O fogo, que começou poucos minutos antes das 9h da manhã daquela sexta-feira, teve origem em um curto-circuito de um aparelho de ar-condicionado no 12º andar do edifício, pouco acima dos nove pavimentos de garagens. As chamas rapidamente atingiram os escritórios equipados com móveis de madeira, carpetes, cortinas e forros de fibra sintética, ou seja, um material propenso à combustão.

O incêndio logo tomou a fachada, sem proteção contra chamas, e se propagou até o último andar e o terraço, cuja cobertura era de madeira e amianto. Com 187 mortos e mais de 300 feridos, o acidente é considerado o terceiro maior do Brasil, atrás apenas do Gran Circo Norte-Americano em 1961, com mais de 500 mortos, e a tragédia da boate Kiss em 2013, que causou a morte de 242 pessoas. 

Como era o Edifício Joelma?

(Fonte: Divulgação)(Fonte: Divulgação)

Chamado atualmente de Edifício Praça da Bandeira, o antigo Edifício Joelma foi projetado pelo arquiteto Salvador Candia, e inaugurado em 1971. O prédio é composto por duas torres de concreto armado, uma voltada para a Avenida Nove de Julho e outra para a Rua Santo Antônio. Entre as duas, existe uma escada central única.

De acordo com o jornalista Adriano Dolph, autor do livro Fevereiro em chamas, que documenta a tragédia, o edifício "tem algumas características arquitetônicas muito interessantes". Embora tenha sete andares de estacionamento, a altura desses espaços corresponde a dez, o que faz com o sétimo andar "pule" diretamente para o décimo primeiro, explica o escritor à Agência Brasil

A partir do 11º andar, começavam as salas de escritório, que iam até o último andar, e na época eram ocupadas pelo Banco Crefisul. Segundo Dolph, naquela sexta-feira de 1974 seriam realizadas entrevistas para contratações no banco, e "muitos estavam ali em busca do primeiro emprego". 

Reforma, reforço na segurança e responsabilizações no Joelma

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

Como é costumeiro em muitas tragédias ocorridas no Brasil, uma semana depois do incêndio do Joelma, o prefeito Miguel Colasuonno, nomeado pelo governador Laudo Natel, publicou um decreto com normas de segurança para prédios na capital paulista, onde dois anos antes outro incêndio havia atingido o Edifício Andraus.

A nova legislação, que substituiu o antigo código de obras de 1934, trouxe importantes inovações, logo adaptadas por outras cidades, como classificação do prédio, materiais utilizados na construção, lotação máxima, rotas de fuga, resistência ao fogo, suprimento de água para combater o fogo e extintores. Pela primeira vez, as partes dos prédios passaram a apresentar resistência ao fogo por, no mínimo, quatro horas. 

Na esfera criminal, o engenheiro responsável pelas instalações gerais, Kiril Petrov, foi condenado a três anos de prisão, enquanto os eletricistas Sebastião da Silva Filho, Alvino Fernandes e Gilberto Araújo, além do proprietário da empresa Termoclima, Walfried Georg, foram condenados a dois anos, embora nenhum deles tenha sido realmente preso.

Quanto à empresa Crefisul, nenhum mandatário foi julgado. "Ninguém [do banco] foi encarado pela promotoria ou pelo delegado que cuidou do caso como responsável", esclarece Dolph. Em março de 1999, o banco foi liquidado, deixando, segundo a Folha de São Paulo, "um prejuízo de R$ 407,6 milhões e um rastro de operações criminosas identificadas pelo Banco Central".

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