Aquecimento global: será possível resfriar o planeta usando geoengenharia?
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Aquecimento global: será possível resfriar o planeta usando geoengenharia?

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De acordo com dados da NASA, 2016 e 2017 foram os anos mais quentes da História, com temperaturas médias (em geral 0,9 e 1 ºC) superiores às registradas nos últimos 70 anos. Se nada for feito para contornar o aquecimento global e a mudança climática, o futuro não guarda um cenário positivo para a humanidade.

Rachel Bidermann, diretora-executiva da WRI e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, explica que diversos países assinaram o Acordo de Paris, para conter o aumento da temperatura em no máximo 2 ºC até 2020, mas a meta está cada vez mais difícil de ser alcançada. “Mesmo que o objetivo consiga ser atingido, o que parece cada vez mais improvável, ainda assim estamos diante de grandes consequências, como extinção de espécies, eventos climáticos extremos e muitos outros impactos”, explica ela.

Enquanto ainda se debate a existência ou não do aquecimento global em algumas partes do globo, em outros locais cientistas estão estudando meios para controlar os efeitos da mudança climática. Uma dessas opções estaria possivelmente na geoengenharia.

Para o pesquisador Jonathan Proctor, do Departamento de Economia Agrícola e Recursos da Universidade da Califórnia em Berkeley, um caminho seria imitar o efeito que as erupções vulcânicas têm no planeta Terra. Ele e mais quatro cientistas publicaram, no início de agosto deste ano, um artigo na revista Nature com os resultados encontrados.

Modelos baseados na natureza

Quando um vulcão entra em erupção, libera milhares de partículas na atmosfera que acabam bloqueando parcialmente a luz do Sol. Com isso, temos uma redação da temperatura no planeta, o que é benéfico diante do cenário de elevação constante das temperaturas. No entanto, há outros fatores a serem considerados nessa equação.

“Sombrear o planeta mantém as coisas mais frias, o que ajuda as culturas a crescer melhor. Mas as plantas também precisam da luz do sol para crescer, então o bloqueio da luz solar pode afetar o crescimento. Para a agricultura, os impactos da geoengenharia solar são iguais em magnitude aos benefícios”, disse o pesquisador. 

O modelo proposto por Proctor e seu colega Solomon Hsiang seria o mesmo que abrir um grande guarda-chuva sobre o planeta. “O problema em descobrir as consequências da geoengenharia solar é que não podemos fazer um experimento em escala planetária sem realmente implantar a tecnologia. O avanço aqui foi perceber que poderíamos aprender algo estudando os efeitos das gigantescas erupções vulcânicas que a geoengenharia tenta copiar”, analisou em entrevista para o portal Berkeley News.

O caso do Monte Pinatubo, nas FIlipinas, foi um dos que inspiraram os cientistas. Em 1991, o vulcão liberou cerca de 20 milhões de toneladas de dióxido de enxofre na atmosfera, o que reduziu em cerca de 2,5% a incidência de luz e reduziu a temperatura média global em aproximadamente meio grau Celsius (quase 1 grau Fahrenheit).

No entanto, ao analisar o desempenho da agricultura no período de 1979 a 2009, notou-se que a falta de sol causada pelos aerossóis liberados também prejudicou o desempenho das plantações de soja, arroz, milho e trigo.

A conclusão continua sendo uma velha conhecida de ambientalistas e cientistas de todo o mundo: segundo Proctor, é preciso atuar na raiz do problema e reduzir a emissão de carbono. Rachel Bidermann reforça a ideia: “somente com mudanças comportamentais e estruturais combinadas vamos conseguir frear o aquecimento global. É preciso mudar a matriz energética com urgência e sair do modelo fóssil. Utilizar fontes renováveis e sustentáveis como energia solar e eólica, investir em agricultura de baixo carbono, por exemplo”, afirma a executiva. Caso os esforços não sejam suficientes, aí sim é bom termos planos de geoengenharia para tentar salvar o Planeta Terra.

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