Empresa mineradora destrói cavernas de 46 mil anos

Empresa mineradora destrói cavernas de 46 mil anos

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Um porta-voz da mineradora Rio Tinto revelou à ABC News na última terça-feira (26) que a companhia foi responsável pela explosão de duas cavernas pré-históricas de 46 mil anos consideradas sagradas pelos aborígenes da Austrália.

Locais de veneração e de grande significado histórico e cultural, as cavernas de pedra Juukan Gorge 1 e 2 foram destruídas após uma detonação de explosivos no final de semana. O ato foi considerado "devastador" pela comunidade aborígene.

Os dois locais, que já abrigaram populações ancestrais, foram descobertos cerca de 60 quilômetros a Noroeste do monte Tom Price, localizado na cidade do mesmo nome, na região de Pilbara, estado da Austrália Ocidental.

Sítio arqueológico riquíssimo

Fonte: Puutu Kunti Kurrama And Pinikura Aboriginal Corporation/ReproduçãoFonte: Puutu Kunti Kurrama And Pinikura Aboriginal Corporation/Reprodução

Conforme informações na Ngaarda Media, empresa multimídia dos povos indígenas da região, uma série de trabalhos arqueológicos realizados no local dataram as cavernas com mais de 46 mil anos, o que as torna as mais antigas daquele planalto.

As citadas escavações, feitas em 2014, revelaram um verdadeiro tesouro em artefatos cuja confecção foi estimada em 28 mil anos atrás, incluindo ferramentas e objetos sagrados. 

Entre as descobertas da expedição arqueológica, uma chamou a atenção: uma mecha de cabelos humanos datada de 4 mil anos, o que prova que as pessoas continuaram morando nessas cavernas por milênios, sendo os ancestrais diretos dos povos Puutu Kunti Kurrama e Pinikura (PKKP), proprietários da região.

A demolição foi autorizada pelo Ministério dos Assuntos Aborígenes em 2013 com base em uma lei de 1972 chamada Lei do Patrimônio Aborígene, criada na época com a clara finalidade de proteger projetos de mineração. 

Lei contrária ao interesse dos aborígenes

Burchell Hayes diz que seu povo está "devastado"Burchell Hayes diz que seu povo está "devastado"

Muito criticada atualmente não apenas por estar fora do contexto cultural moderno, mas também por ser lesiva aos interesses das comunidades aborígenes, a lei determina que, em caso de ameaça a locais relevantes para as tribos, a atividade deva ser submetida primeiro ao Comitê de Materiais Culturais Aborígenes.

No entanto, a eficácia desse comitê é questionada por ele ser constituído exclusivamente por pessoas não indígenas, e também porque suas decisões não podem sofrer nenhum tipo de questionamento ou apelação.

A Rio Tinto, empresa multinacional de mineração, defendeu-se afirmando que "[...]  trabalhou de forma construtiva com o povo PKKP em várias questões relacionadas ao patrimônio no âmbito do acordo e, onde possível, modificou suas atividades para evitar danos ao patrimônio".  

O governo estadual da Austrália Ocidental declarou que está em andamento, desde 2018, um processo para rever as leis de mineração para que esse tipo de tragédia não aconteça no futuro.

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