Espermatozoide de 100 milhões de anos é o mais antigo já descoberto

Espermatozoide de 100 milhões de anos é o mais antigo já descoberto

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Um artigo publicado na quarta-feira (15) no periódico científico Proceedings of The Royal Society B relatou a descoberta do espermatozoide mais antigo já encontrado no mundo. O mais impressionante é que essa célula reprodutora, considerada “gigante” quando comparada a de outras espécies, esteve dentro de uma pequena concha de crustáceo durante 100 milhões de anos.

O espermatozoide gigante foi descoberto por uma equipe de paleontólogos em uma mina no território de Mianmar, dentro de um ostracode, conhecido como camarão-semente, preservado em âmbar desde o período Cretáceo.

Um exemplar de Myanmarcypris hui. (Fonte: He Wang; Xiangdong Zhao/Reprodução)Um exemplar de Myanmarcypris hui. (Fonte: He Wang; Xiangdong Zhao/Reprodução)

Uma espécie nunca vista

Na pequena bolha de resina de árvore, menor do que um selo, foram detectados 39 ostracodes, 31 dos quais pertencentes a uma espécie nunca vista antes, batizada de Myanmarcypris hui. Esses espécimes cresceram apenas 0,59 milímetros de comprimento.

Os corpos desses animais são protegidos por uma concha bivalve, da qual emergem minúsculos apêndices. Ainda hoje, existem milhares de ostracodes vivos, que igualmente possuem células espermáticas gigantes, que chegam a 1,18, o que significa que são maiores do que o animal que as produz. 

Bolha de âmbar com ostracodes (Fonte: He Wang; Xiangdong Zhao/Reprodução)Bolha de âmbar com ostracodes (Fonte: He Wang; Xiangdong Zhao/Reprodução)

O espermatozoide animal mais antigo

Entre os ostracodes recuperados do âmbar o que mais chamou a atenção foi uma fêmea adulta de M. hui, cujos tecidos foram preservados, incluindo quatro ovos minúsculos medindo apenas 50 micrômetros de diâmetro, menos do que um fio de cabelo humano. Nos receptáculos seminais dessa fêmea havia também uma massa.

Uma vez que o fóssil estava muito bem preservado, o paleontólogo e pesquisador He Wang, da Academia Chinesa de Ciências, utilizou a tomografia computadorizada para reconstruir uma imagem tridimensional da massa, que enviou para Renate Matzke-Karasz, paleontóloga da Universidade Ludwig Maximilian de Munique.

A paleontóloga, que é especialista em ostracodes, falou ao site Live Science: "Eu imediatamente o felicitei por ter reconstruído o espermatozoide animal mais antigo". Os dois pesquisadores estimam que cada espermatozoide media 200 micrômetros de comprimento.

Para Matzke-Karasz, a reprodução através de espermatozoides gigantes demanda muita energia para produzir e muito espaço dentro do animal receptor. Além disso, o acasalamento é muito demorado. "Isso não faz sentido do ponto de vista evolutivo", disse ela. "Mas, em ostracodes, tem funcionado por mais de 100 milhões de anos".

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