A ketamina pode ser usada para tratar 'olho preguiçoso' em adultos

A ketamina pode ser usada para tratar 'olho preguiçoso' em adultos

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Num estudo recente, publicado na revista científica Current Biology, pesquisadores da Universidade da Califórnia e da Irvine School of Medicine revelaram que a ketamina subanestésica, uma substância usada como analgésico e antidepressivo, pode ser eficaz no tratamento da ambliopia em adultos, uma diminuição da visão, conhecida como “olho preguiçoso”.

Um dos autores da pesquisa, Xiangmin Xu, professor de anatomia e neurobiologia da Universidade da Califórnia, explicou: “Nosso estudo demonstra como uma dose única de ketamina subanestésica reativa a plasticidade cortical visual do adulto e promove a recuperação funcional dos defeitos de acuidade visual resultantes da ambliopia”.

A ketamina subanestésica

Fonte: Psychiatry Advisor/Reprodução
Fonte: Psychiatry Advisor/Reprodução

Sintetizada pela primeira vez em 1963, a ketamina, um analgésico pós-operatório, também produz, em doses subanestésicas, efeitos antidepressivos rápidos e duradouros em pacientes humanos. Ela também é utilizada no controle da chamada neuroplasticidade, nome da capacidade do sistema nervoso de mudar e adaptar-se diante de novas experiências.

Foi justamente um mecanismo baseado na neuroplasticidade, ou plasticidade neural, que permitiu à ketamina proporcionar a recuperação funcional da disfunção oftálmica chamada ambliopia, uma redução da acuidade visual que ocorre na primeira infância, e é popularmente conhecida como “olho preguiçoso”. 

O que é o olho preguiçoso?

Fonte: Instituto de Olhos da Amazônia/Reprodução
Fonte: Instituto de Olhos da Amazônia/Reprodução

A ambliopia é um distúrbio visual no qual o cérebro não consegue processar as entradas visuais de um olho, e favorece o outro. Com isso, ocorre uma diminuição da visão do olho afetado. Anualmente, entre 1 e 5% das crianças do mundo inteiro são diagnosticadas com essa incômoda condição.

As ações rápidas e sustentadas da ketamina subanestésica revelaram-se promissoras para aplicações terapêuticas que dependem da reativação da plasticidade cortical do adulto. Testes adicionais ainda serão necessários para determinar todas as implicações desta descoberta.

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