Qual foi a primeira espécie que os humanos levaram à extinção?

Qual foi a primeira espécie que os humanos levaram à extinção?

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Muito antes das primeiras cidades, quando os nossos antepassados ainda apresentavam comportamento nômade e eventualmente migravam em busca de mais fontes de comida e água, os primeiros animais e plantas do planeta Terra foram levados à extinção devido à ação humana.

Segundo o pesquisador paleontólogo Julian Hume, do Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido, que estuda fósseis de animais extintos, a humanidade já estava exterminando a fauna há milhares de anos. “O verdadeiro problema começou quando nós, como humanos, começamos a migrar”, diz.

Paleontólogo analisa fóssil de um Dodô, extinto pelo ser humano há milhares de anos atras
Paleontólogo analisa fóssil de um Dodô, extinto pelo ser humano há milhares de anos atrás.

Ele explica que as migrações dos neandertais, há cerca de 125 mil anos, foram o ponto de partida para o começo das extinções, já que o número de registros e fósseis aumentou em paralelo com a extinção de animais de grande porte, conhecidos como megafauna.

Já Felisa A. Smith, pesquisadora de biologia evolutiva pela Universidade do Novo México, EUA, que estuda como o tamanho do corpo dos animais mudou ao longo da história, completa que esse padrão regular de extinção começou depois que os hominídeos começaram a explorar além da África, onde teriam se desenvolvido nossos antepassados.

Smith é autora de um estudo chamado Redução do tamanho corporal dos mamíferos no final do Quaternário, publicado em 2018 pela revista Science. No estudo, ela explica que os registros dos fósseis analisados mostram que as espécies de grande porte (parentes pré-históricos de elefantes, ursos, antílopes e outras criaturas) foram os primeiros a desaparecerem da Terra.

“Havia uma coisa parecida com um tatu chamado gliptodonte, que era do tamanho de uma Kombi”, diz Smith. Os gliptodontes possuíam caudas pontiagudas que os tornavam animais letais. Eles desapareceram das Américas no final da última era glacial, há cerca de 12 mil anos, o que está diretamente relacionado à chegada dos humanos no local, explica a pesquisadora.

Os grandes animais da megafauna pré-histórica eram os mais propícios a sofrer extinção por conta do seu tamanho, o que significava a necessidade de consumir grandes quantidades de comida, além de serem criaturas com enorme poder de destruição — isso representava uma ameaça aos seres humanos, que tinham recém-chegado na região. Além disso, animais maiores não se reproduzem tão rápido quanto os menores.

Os primeiros registros concretos

De acordo com a Live Science, não há como determinar qual foi exatamente o primeiro animal a ser extinto da Terra. Até recentemente, antes dos estudos mais aprofundados sobre a ação dos seres humanos sobre a megafauna, o dodô era considerado o primeiro animal extinto por nós, o que é um equívoco.

O último dodô da Terra deu seu último suspiro ainda no final do século XVII, nas florestas das Ilhas Maurício, na costa leste da África. Eles encararam o fim da sua espécie de forma prematura por conta do comportamento de caça de exploradores europeus que chegaram às Ilhas Maurício cerca de 100 anos antes da extinção dos dodôs, pouco depois do ano 1500.

Até então, acreditava-se que o dodô era uma ave pouco adaptada às necessidades das ilhas onde se desenvolveram e isso seria uma justificativa para o fim precoce das criaturas. No entanto, o pesquisador Julian Hume produziu um modelo digitalizado em 3D do animal e concluiu que os dodôs eram, sim, muito bem adaptados à região onde cresceram.

Modelo 3D do pesquisador Julian Hume
Exemplo do modelo 3D do pesquisador Julian Hume.

Seu modelo 3D exibe um pássaro extremamente diferente, mais rápido, mais atlético e muito mais inteligente do que a cultura popular e os antigos registros nos fizeram acreditar. “[O dodô] não era nada parecido com essa coisa grande, gorda e volumosa, que ficava apenas andando por aí. Esta ave era superadaptada ao ambiente das Ilhas Maurício”, conclui Hume à Live Science, sacramentando a culpa do ser humano em sua extinção, que foi muito representativa de uma migração moderna, mas está longe de ter sido a primeira causada por nós.

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