Estranho espécime do Cambriano pode ser o 'Elo Perdido' dos artrópodes

Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências em Nanjing, China, acreditam ter descoberto o “Elo Perdido” da evolução dos artrópodes ao identificarem fósseis de uma criatura estranha, semelhante a um camarão, que possui características particulares de diversos outros animais. Datado de aproximadamente 500 milhões de anos, os extintos espécimes viveram durante o Cambriano, e podem sugerir um marco importante no estudo da evolução do filo.

Segundo os estudiosos, o ancestral dos artrópodes possuía diversas estruturas típicas de outros fósseis do grupo, porém que nunca haviam sido encontradas aglomeradas em um mesmo espécime. O animal era dotado de uma cabeça composta por cinco olhos em alto relevo, quinze membros pontiagudos enfileirados e articulados, além de enormes “braços” curvos que se direcionavam para cima.

Os fósseis foram encontrados no sítio arqueológico de Yu’anshan, localizado no sul da China, onde ficam armazenados diversos vestígios datados da Era Cambriana, que ocorreu há cerca de 518 milhões de anos. Devido ao território em que foi documentado, a exótica criatura foi batizada de Kylinxia zhangia, em homenagem a Yehui Zhang, um dos cientistas autores do projeto.

(Fonte: Academia Chinesa de Ciências em Nanjing/Reprodução)
(Fonte: Academia Chinesa de Ciências em Nanjing/Reprodução)

Curiosamente, os vestígios do artrópode estavam incrivelmente bem conservados, sendo possível enxergar dois grandes olhos, canal alimentar, glândulas digestivas, tecido nervoso, cordão ventral e até mesmo o conteúdo no interior do intestino. “Os   fósseis de Kylinxia exibem estruturas anatômicas extraordinárias”, disse o coautor do estudo, Fangchen Zhao, professor do Instituto de Paleontologia e Geologia de Nanjing, China. “Por exemplo, tecido nervoso, olhos e sistema digestivo são partes moles do corpo que geralmente não podemos ver em fósseis convencionais.”

O “Elo Perdido” da evolução dos artrópodes

Entre as estruturas identificadas no Kylinxia zhangia, foram encontrados pontos anatômicos e sistemáticos de outros artrópodes como Opabinia, Anomalocaris, Radiodonta e Megacheira, levando os pesquisadores a concluir que algumas estruturas estavam ausentes nos primeiros espécimes conhecidos do filo. Dessa forma, a observação de mais de 80 grupos taxonômicos indicou que os estranhos ancestrais são capazes de completar inúmeras lacunas sobre a evolução das espécies.

Kylinxia representa um fóssil transicional crucial previsto pela teoria da evolução de Darwin“, disse Han Zeng, autor do estudo. “Ele preenche a lacuna evolutiva entre o Anomalocaris e os verdadeiros artrópodes, formando um ‘Elo Perdido’ na sua origem e contribuindo com fortes evidências fósseis para a teoria evolucionária da vida.”

Você sabia que o Megacurioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.