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Germânia: o plano de Hitler de destruir a arquitetura de Berlim

A ambição de Adolf Hitler não tinha limites. O seu propósito final, caso a Alemanha saísse vitoriosa da Segunda Guerra, era a dominação mundial, por isso ele fez de tudo para estruturar as vias até esse seu objetivo. 

O líder político destruiu as instituições democráticas da própria nação e a transformou em um Estado de guerra, visando dominar a Europa, como parte de seu Plano Geral do Leste, e estabelecer o seu princípio de raça ariana suprema. Para isso, após a invasão da Polônia em 1 de setembro de 1939, ele iniciou um processo de dizimar milhares de civis que considerava inferiores, como os judeus, homossexuais, Testemunhas de Jeová, eslavos, os “homens fracos” e todos aqueles que tinham doenças genéticas ou físicas.

Em meio aos planos e projetos que envolviam a criação de uma tecnologia avançada o suficiente para colocar a Alemanha como o centro do mundo, estava a criação de um imenso espelho espacial com 1,6 quilômetro de diâmetro em órbita, a cerca de 35,8 mil quilômetros acima da Terra, para que os nazistas pudessem queimar cidades ou países inteiros com raios solares à mínima desobediência.

Além disso, assim que Hitler conseguisse invadir os Estados Unidos e ver as chamas consumirem a cidade de Nova York, tal como o imperador Nero fez com Roma, o líder planejava transformar sua “tão amada” Berlim na futura Germânia, o centro do mundo e do Terceiro Reich, por meio do maior e mais ambicioso projeto arquitetônico de todos os tempos.

O Olimpo nazista

(Fonte: Wikiwand/Reprodução)
(Fonte: Wikiwand/Reprodução)

Hitler queria que Berlim se tornasse algo em nível babilônico, para que fosse digna de comparação apenas com o Antigo Egito e Roma. Nenhuma Paris ou Londres poderia ser párea para o que ele construiria. Com o nome “Germânia” como parte do Grande Império Mundial Germânico da Nova Ordem, Hitler tinha a intenção de causar a mesma impressão que o chanceler Otto Von Bismarck em meados do século XIX, quando ele apresentou aos países germânicos o conceito de unificação da Alemanha. Sendo assim, a “nova capital” incutiria um senso de unidade, ainda que os habitantes do núcleo racial germânico estivessem longe.

Em meados de 1938, Albert Speer, o primeiro arquiteto do Terceiro Reich, desenvolveu vários projetos para a reconstrução da cidade, que seria inaugurada após a vitória da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, como parte do intitulado “Plano de construção abrangente para a capital do Reich” (em alemão chamado de Gesamtbauplan für die Reichshauptstadt). No entanto, apenas uma porção desse plano foi realizada, entre os anos de 1938 e 1943.

(Fonte: E&T Magazine/Reprodução)
(Fonte: E&T Magazine/Reprodução)

Até hoje, em um cruzamento no bairro de Tepelhof, no sul da cidade de Berlim, onde seria a larga avenida central que se chamaria Prachtallee (ou Avenida dos Esplendores), está localizado um cilindro de 12 mil toneladas de concreto de 11 metros de diâmetro, com 14 metros de altura e 18 metros abaixo da superfície. Nomeado Schwerbelastungskörper, o bloco foi erguido a mando de Speer para determinar se grandes estruturas se sustentariam em solos pantanosos e arenosos, para que um arco triunfal de 120 metros de altura fosse construído nas proximidades. O arco teria o intuito de refletir o espírito do Reich e colocar a Germânia de Hitler como uma capital imponente e monumental, digna de seu título de “centro do mundo”. Além de ostentar o poder nazista, o arco teria gravado o nome 1,8 milhão de alemães mortos.

Contudo, para que tudo isso fosse possível, os medidores de tensão e inclinação que apontavam qualquer subsidência do solo não poderiam se mover – o que não acabou acontecendo. Portanto, o projeto foi inviabilizado porque as toneladas de concreto afundaram 18 centímetros no solo pantanoso da região, declarando que não suportaria uma estrutura pesada como a do arco.

O domo nazista

(Fonte: Berlin Guides Association/Reprodução)
(Fonte: Berlin Guides Association/Reprodução)

O “Salão do Povo”, nomeado Volkshalle, era para ter sido a maior construção de todas – a preferida de Hitler – e que daria o toque faraônico final para a Germânia do ditador. Localizado no centro da Avenida dos Esplendores, o palácio comportaria até 180 mil pessoas dentro de suas paredes, sustentando um domo de 200 metros de altura por 250 metros de diâmetro, similar ao da Basílica de São Pedro (Vaticano). O palácio ainda teria uma torre bem à sua frente e seria uma clara imitação do Panteão de Roma. Como todos os projetos desenhados por Speer a mando de Hitler, o edifício megalomaníaco destruiria mais de 60 mil casas em seu caminho.

(Fonte: Big Hat Tours/Reprodução)
(Fonte: Big Hat Tours/Reprodução)

A estação Anhalter Bahnhof, a mais importante estação ferroviária de Berlim da época, também foi alvo das ambições do líder político. Ela seria transformada em uma piscina pública no melhor estilo romano. Em 1950, parte da estrutura foi destruída e atualmente apenas a fachada permanece em pé.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)
(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Entre todos projetos absurdos, o Olympiastadion (Estádio Olímpico de Berlim) foi um dos únicos que foram construídos e que são usados até hoje. O local foi sede dos jogos de verão de 1936 e se tornou um dos maiores estádios do mundo da época.

Dividir para reinar

(Fonte: NTV/Reprodução)
(Fonte: NTV/Reprodução)

No final das contas, os projetos de Hitler não visavam apenas enaltecer o ego do líder e seu nacionalismo exacerbado e doentio, mas também serviam para controlar a população alemã. Ironicamente, a arquitetura do Terceiro Reich seguiria a mesma concepção da que os soviéticos desenvolveram após a Revolução Comunista de 1917, na qual as pessoas que trabalhavam e viviam em fazendas coletivas, e outras estruturas políticas de subsistência, precisavam se alinhar à ideologia de um governo marxista. Mais tarde, o mesmo aconteceu na China.

Nos territórios habitados por qualquer tipo de pessoa intitulada como “indesejável”, como judeus e eslavos, o projeto urbano de Hitler valia-se de uma gama de ferramentas para controlar e até destruir populações e suas culturas. As cidades seriam invadidas por colonos alemães que aplicariam ideologias nazistas sob as quais as pessoas deveriam viver.

(Fonte: Blic/Reprodução)
(Fonte: Blic/Reprodução)

Dentro do novo escopo que seguiria os padrões urbanos do planejamento colonial, a superioridade racial e física predominaria e também seria um fator que determinaria como as pessoas deveriam viver e se comportar. Haveria moradias separadas e áreas proibidas àqueles que não fossem alemães.

Ao longo de todo o território da Europa Ocidental que foi ocupado pelas tropas nazistas, guetos foram construídos em Varsóvia e Lvov para separar os judeus do resto da população e produzir péssimas condições de vida, em um ato deliberado de segregação social e punitivista. Com o mínimo de serviço social disponível, o resultado foi a morte de milhares de pessoas, sendo que isso foi apenas parte de um “ensaio” para o que estava por vir.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)
(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Felizmente, apesar das perdas, muito do que foi planejado por Hitler não se concretizou. Com o início da Segunda Guerra Mundial, os projetos foram arquivados. Muitos edifícios em processo de construção foram destruídos durante os bombardeios e, eventualmente, interrompidos com a derrota da Alemanha no conflito, seguida pela derrocada de Hitler.

Albert Speer foi preso e condenado a 20 anos de reclusão em Nuremberg. Com o passar dos anos, o homem ficou conhecido como o “bom nazista”, após distorcer fatos e se eximir de sua participação em todo o Holocausto. Em 1966, Speer foi libertado e se tornou uma espécie de crítico às avessas do regime de Hitler, morrendo em 1981 com o título irônico de “ o bom nazista que se arrependeu”.

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