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Pássaro 'extinto' é visto pela 1ª vez em 170 anos em Bornéu

Um pássaro que aparentemente estava extinto, pois não era visto há aproximadamente 170 anos, foi encontrado por pesquisadores na ilha de Bornéu, no sudeste da Ásia. A descoberta foi relatada em um estudo publicado na revista BirdingASIA, no final de 2020.

Considerada o “maior enigma da ornitologia da Indonésia”, a ave Malacocincla perspicillata, também conhecida como tagarela-de-sobrancelha-negra, foi capturada pela primeira vez entre os anos de 1843 e 1848, supostamente na ilha de Java, em um trabalho do naturalista alemão Carl Schwaner.

As informações coletadas na época acabaram não sendo tão precisas e o pássaro teve o registro efetuado como espécie ameaçada. Desde então, ele não foi mais visto, levando os especialistas a acreditar que se tratava de uma ave extinta.

(Fonte: Muhammad Suranto/Reprodução)(Fonte: Muhammad Suranto/Reprodução)

Mas tudo mudou em outubro de 2020, quando dois moradores de Bornéu encontraram um pássaro diferente. Eles o capturaram e tiraram fotos antes de soltá-lo, enviando-as para ornitólogos. Durante a análise das imagens, a ave foi comparada à espécie capturada por Schwaner quase 200 anos antes, atualmente conservada no Museu de História Natural de Leiden, na Holanda.

Procurando no lugar errado

Após concluírem que a ave recém-encontrada era mesmo um exemplar da tagarela-de-sobrancelha-negra, identificada formalmente por ornitólogos, os pesquisadores foram em busca dos motivos pelos quais a espécie não era vista desde meados do século XIX.

Para eles, a explicação é simples. A Malacocincla perspicillata foi considerada extinta porque era procurada no lugar errado, devido aos registros imprecisos feitos durante o primeiro encontro, dando a entender que ela vivia na ilha de Java.

Espécime original, capturado por Carl Schwaner. (Fonte: Oriental Bird Images/Reprodução)Espécime original, capturado por Carl Schwaner. (Fonte: Oriental Bird Images/Reprodução)

Diante da descoberta, que põe fim ao mais longo período de desaparecimento de uma ave asiática, o grupo responsável pelo estudo agora se prepara para buscar novas informações sobre a espécie. Eles querem verificar quantos exemplares dela vivem em Bornéu e se o pássaro está em risco de extinção.

Mas para levantar esses dados, buscar novas informações sobre as características físicas do pássaro e atualizar os textos de ornitologia, retirando a tagarela-de-sobrancelha-negra da lista de aves extintas, eles terão que aguardar pelo fim das restrições provocadas pela pandemia do novo coronavírus, para então ir à ilha certa.

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