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Dragão do Mar: descoberta do túmulo do abolicionista é confirmada

O historiador brasileiro Licínio Nunes de Miranda, da Universidade da Flórida, Estados Unidos, confirmou ter encontrado o túmulo do abolicionista cearense Dragão do Mar, após quase um ano de buscas no cemitério São João Batista, no centro de Fortaleza, Ceará. A descoberta ocorreu em 21 de julho, mas somente nas últimas semanas ganhou destaque no site oficial da universidade.

Com o paradeiro desconhecido há mais de um século, o túmulo de Francisco José do Nascimento passou a ser obsessão para Licínio, que optou por contar a história do jangadeiro em sua tese de doutorado. Segundo o historiador, seu projeto tem a proposta de apresentar à comunidade a história de "um herói nacional que estava esquecido, um símbolo da luta contra a escravidão", resgatando eventos que marcaram a prática social na região.

(Fonte: Licínio Nunes de Miranda - Universidade da Flórida / Reprodução)(Fonte: Licínio Nunes de Miranda - Universidade da Flórida / Reprodução)

Felizmente a história terminou bem para o pesquisador e para os entusiastas, já que a inscrição "Descanso eterno do major Francisco José do Nascimento", que estava incrustada na lápide com a data de morte e com referências à esposa do falecido, foi confirmada como sendo autêntica. 

O libertador Dragão do Mar

Dragão do Mar foi um dos nomes mais importantes no meio abolicionista em âmbito nacional, sendo o principal pilar na derrubada da escravidão no Ceará, em 1884, quatro anos da Lei Áurea. A participação do jangadeiro resultou em um momento simbólico para o estado, já que foi a primeira província do Brasil a decretar oficialmente o fim da exploração de escravos.

(Fonte: Acervo Biblioteca Nacional / Reprodução)(Fonte: Acervo Biblioteca Nacional / Reprodução)

Morto em 1914, aos 75 anos, o homem deixou um legado imenso na região, com seu nome sendo lembrado em todo o estado e estampando um dos locais mais simbólicos da capital: o centro cultural Dragão do Mar. Além disso, foi responsável por estabelecer um importante vínculo entre o movimento e os estados vizinhos, atraindo escravos de todo o país que viam, nos ideais do líder, uma chance concreta de encontrarem a tão sonhada liberdade.

"A história dele mostra que o abolicionismo não era formado apenas por intelectuais, advogados, jornalistas... Mas também por pessoas comuns, como trabalhadores do porto", diz Licínio. "Espero que a descoberta do jazigo traga essa história novamente, para que possamos reconhecê-lo como um grande herói brasileiro", conclui.

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