As cavernas lotadas de múmias de morcegos e cocô de preguiça

O paleontólogo Jim Mead detalhou neste início de março resultados de pesquisas realizadas nas centenas de cavernas do Grand Canyon, no Arizona. Segundo o líder do projeto, o local armazena inúmeros restos de morcegos mumificados e esterco de bichos-preguiça extintos, remontando a um período de aproximadamente 40 mil anos.

Por dezenas de milhares de anos, as paredes do Grand Canyon forneceram as condições necessárias para que vários grupos de animais construíssem seus lares no local, que utilizavam a geografia irregular para criar armadilhas para presas e as cavernas para se esconder de seus respectivos predadores. A forte seca e o clima árido permitiram, posteriormente, a preservação adequada de seres mortos, resultando em um acúmulo de ossos e materiais fecais em grandes proporções.

(Fonte: Emilee Mead - Research Gate / Reprodução)(Fonte: Emilee Mead - Research Gate / Reprodução)

Desde a primeira metade da década de 1930, escavadores e membros do Corpo de Conservação Civil vêm explorando o Grand Canyon. Eles começaram com a Caverna Rampart, no oeste do parque, onde acharam restos da preguiça-terrestre conhecida como Shasta, de 500 quilos, extinta há quase 10 mil anos. Desde então, relatos indicaram a presença de répteis, carneiros-selvagens, cabras e cavalos, datados de um período entre 40 mil e 11 mil anos.

(Fonte: Emilee Mead - Research Gate / Reprodução)(Fonte: Emilee Mead - Research Gate / Reprodução)

Jim Mead passou a frequentar o parque apenas em 1969, quando apenas duas cavernas haviam sido inteiramente vasculhadas. O duro trabalho que viria depois acabou sendo impactado por um incêndio que houve na região, mas isso não impediu que o paleontólogo e sua equipe continuassem as buscas. Com o uso de equipamentos de rafting, acessórios de trilha e helicópteros, os estudiosos conseguiram abordar boa parte do Grand Canyon, alcançando cavernas remotas e inexploradas.

As múmias do Grand Canyon

Nos últimos anos, foram encontrados pássaros e morcegos mumificados nas paredes do parque, que pareciam estar dormindo em meio aos cristais de gelo. "Alguns condores e seus tecidos estão tão bem preservados... Temos pele e tudo preservado em alguns desses ossos", disse Steve Emslie, professor da Universidade da Carolina do Norte, Wilmington, que trabalhou com Mead em algumas cavernas.

(Fonte: Grand Canyon National Park Museum Collection - Wikimedia Commons / Reprodução)(Fonte: Grand Canyon National Park Museum Collection - Wikimedia Commons / Reprodução)

Junto às fezes, também foram identificados restos vegetais e de comida, que estão sendo utilizados para estudos sobre os hábitos alimentares dos animais extintos, além de dar mais detalhes sobre a fauna e sua evolução durante toda a história do local.

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