Como vinho mandado para o espaço ajuda a estudar a gravidade?

Especialistas do Instituto de Pesquisa de Vinhos e Videiras em Bordeaux, França, estão analisando uma dúzia de garrafas de vinho que retornaram à Terra após passar cerca de 14 meses a bordo da Estação Espacial Internacional. Segundo os pesquisadores, a ideia por trás do projeto é observar as principais interferências da gravidade e de outras condições atmosféricas nas bebidas, a fim de melhorar as plantações terrestres e torná-las mais resistentes.

Em novembro de 2019, a SpaceX enviou 12 garrafas de vinho Château Petrus e cerca de 320 brotos de videira Merlot e Cabernet Sauvignon como parte da Missão WISE, que visa preservar o futuro da agricultura e dos alimentos aproveitando o efeito da microgravidade em sistemas biológicos mais complexos e diversos. O experimento, fundado pela startup europeia Space Cargo Unlimited, deixou os alimentos sentirem diferentes efeitos climáticos por 438 dias e 19 horas, incluindo a gravidade zero no trajeto para a Terra.

(Fonte: NASA / Reprodução)(Fonte: NASA / Reprodução)

"Foi com grande emoção que recuperamos as doze garrafas de Château Petrus 2000 em Bordeaux no início de fevereiro, intactas e tendo resistido a todas as restrições de preparação, viagem e armazenamento na ISS", disse Nicolas Gaume, cofundador da Space Cargo Unlimited. "É claro que a análise ainda está em seus estágios iniciais, mas os primeiros achados são muito promissores para o futuro do programa de pesquisa."

Análise dos vinhos

Em 1º de março, ocorreu a primeira análise oficial dos vinhos, e 12 especialistas franceses receberam amostras de bebidas envelhecidas na Terra e no espaço para realizarem comparações às cegas. Rapidamente, várias opiniões surgiram em meio à degustação, e os peritos sugeriram diferentes sensações enquanto experimentavam, qualificando distinções claras entre as safras testadas.

(Fonte: AP / Reprodução)(Fonte: AP / Reprodução)

Segundo a grande maioria dos especialistas, o vinho espacial possui um sabor de pétalas de rosa com tons de fogueira, além de ter uma coloração em tons de rubi semelhantes aos de tijolos. Em comunicado, a correspondente da revista Decanter, Jane Anson, também relatou que "havia mais aromáticos florais [e] os taninos eram um pouco mais macios e evoluídos".

A maior velocidade de envelhecimento do vinho será objeto de estudo para os próximos passos dos pesquisadores, que se esforçarão em compreender a nova constituição molecular das bebidas e de que forma ela pode contribuir com a missão WISE.

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