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Vítima pré-histórica de canibais é identificada como menina

Em 1994, exploradores descobriram restos de uma criança pré-histórica canibalizada na caverna de Gran Dolina, no norte da Espanha. Datada de 800 mil anos, o "Menino da Gran Dolina", como passou a ser chamado pelos pesquisadores, ofereceu bastantes dificuldades para estudos especialmente por ser composto apenas de fragmentos de ossos e dentes, algo que impediu uma interpretação mais precisa sobre sua genética.

Durante os últimos 27 anos, os cientistas foram capazes de modelar com mais clareza as dimensões da espécie caracterizada como Homo antecessor: altura de 1,70 m, estrutura facial similar a do homem moderno e gêneros sexuais masculinos. Porém, as pesquisas mais recentes concluíram que os dois indivíduos que vinham sendo estudados, H1 e H3, eram respectivamente um macho e uma fêmea.

(Fonte: Tom Björklund - CENIEH/ Reprodução)(Fonte: Tom Björklund - CENIEH/ Reprodução)

Essa análise só foi possível graças a técnicas modernas de scanner de alta resolução, processo similar a uma tomografia computadorizada capaz de examinar profundamente os dentes do indivíduo em questão e com uma eficácia significativamente maior do que a aplicada pelos métodos anteriores. Segundo Cecilia García-Campos, principal autora do projeto, sua equipe se baseou “no estudo dos tecidos dentários para encontrar as diferenças sexuais dos fósseis”, em observações realizadas nos caninos de ambos os indivíduos.

Um detalhe imperceptível

"O Menino de Gran Dolina" sempre foi "A Menina da Gran Dolina", morta e devorada por canibais por volta dos 9 a 11 anos de idade. Os autores conseguiram determinar o sexo da H3 graças à maior presença de esmalte superficial em comparação com os dentes do indivíduo H1, visto que essa é uma característica dentária predominante nas fêmeas. Além disso, o fóssil masculino tinha uma coroa mais alta com maior teor de dentina, sendo uma particularidade de organismos masculinos.

(Fonte: Cecilia García-Campos - CENIEH / Reprodução)(Fonte: Cecilia García-Campos - CENIEH / Reprodução)

Estruturas cranianas e outros aspectos físicos raramente conseguem determinar o sexo de um fóssil animal, mas os ossos e dentes conseguem dizer muito mais do que aparentam. Comumente, essas estruturas são bastante utilizadas por especialistas principalmente pelo seu alto grau de preservação, e tudo isso foi importante para "estimar o sexo de indivíduos imaturos".

“A menina da Gran Dolina questiona os papéis tradicionais de gênero que ainda se preservam, nos quais a mulher está em casa e o homem no trabalho”, conclui García-Campos, reforçando a importância da descoberta.

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