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Por que não evoluímos para tornar o parto normal mais fácil?

O canal de nascimento humano, aquela portinha apertada pela qual chegamos nesta vida, tem intrigado médicos e biólogos durante longos anos. Agora, uma equipe de engenheiros civis e arquitetos concluiu que o espaço pequeno do canal de parto deriva de um equilíbrio (trade-off) evolucionário entre múltiplas forças seletivas antagônicas que têm que optar entre apoiar o parto ou manter os órgãos intactos no dia a dia.

Publicada na revista Proceedings of the National Academy of Science na semana passada (20), a pesquisa explica que a reprodução humana é singular exatamente “por causa do ajuste relativamente apertado entre o canal do parto e a cabeça do bebê”. E é devido a esses imperativos biológicos que a situação deve permanecer dessa forma.

Trabalhando com a hipótese de um assoalho pélvico maior, que pudesse facilitar o parto, os cientistas concluíram que um eventual alargamento do local, sem ossos ou tecidos para protegê-lo, resultariam em deformação e colapso sob o peso dos órgãos e do feto, segundo avaliações de elementos finitos múltiplos de modelos desse conjunto de órgãos com tamanhos e espessuras variados.

Testando a hipótese do assoalho pélvico

Avaliações de elementos finitos múltiplos de modelos de assoalho pélvico (Fonte: Cockrell School of Engineering/Reprodução)Avaliações de elementos finitos múltiplos de modelos de assoalho pélvico (Fonte: Cockrell School of Engineering/Reprodução)

Em um comunicado divulgado pela Universidade do Texas, um dos autores do estudo, professor Krishna Kumar, explicou que, apesar de a dimensão atual ter tornado o parto difícil, “evoluímos a um ponto em que o assoalho pélvico e o canal de nascimento podem equilibrar os órgãos internos de suporte, ao mesmo tempo que facilita o parto e o torna o mais fácil possível”.

Essa hipótese do assoalho pélvico já era conhecida pela comunidade científica, mas sua comprovação era difícil, até que a equipe de cientistas resolveu utilizar ferramentas de engenharia para testá-la. Kumar pensou no problema, comparando o assoalho pélvico a um trampolim que, se for muito grande, poderá despencar com o peso.

Conforme outra autora da pesquisa, Nicole Grusnstra, a conclusão do estudo foi de que um assoalho pélvico mais espesso exigiria pressões intra-abdominais que os seres humanos não conseguiriam gerar para esticar. Ou seja, a adição de espaço extra disponível complicaria consideravelmente o parto. Assim, a própria “espessura do assoalho pélvico parece ser outro “compromisso” evolutivo, além do tamanho do canal de parto”.

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