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O que é “memória da água” e qual a relação com homeopatia?

Em 1988, o imunologista Jacques Benveniste publicou a teoria da memória da água na revista científica Nature. Segundo a teoria, a água seria capaz de reproduzir os efeitos de uma substância que tivesse contato prévio com ela, mesmo após ser diluída e nenhuma molécula dessa substância estiver mais presente, ou seja, a água teria uma capacidade de memória de guardar as propriedades das moléculas. 

Para validar o estudo, o imunologista francês diluiu uma solução de anticorpos humanos em água a um grau que não havia praticamente nenhuma possibilidade de uma única molécula do anticorpo permanecer na solução. No entanto, a pesquisa relatou basófilos humanos nas soluções como se tivessem encontrado o anticorpo original. O efeito relatado só foi observado quando a solução era agitada vigorosamente.

A homeopatia e a memória da água

A homeopatia utiliza a teoria da memória da água quando as substâncias são diluídas em água até que sobre pouca quantidade na mistura final. (Fonte: Pixabay/Reprodução)A homeopatia utiliza a teoria da memória da água quando as substâncias são diluídas em água até que sobre pouca quantidade na mistura final. (Fonte: Pixabay/Reprodução)

A homeopatia é uma terapia alternativa, iniciada pelo alemão Samuel Hahnemann em 1796, que tem o princípio de que “semelhante cura semelhante”. Assim, a produção do medicamento se dá por meio de diluição e dinamização da mesma substância que produz o sintoma em um indivíduo saudável. 

Segundo essa corrente de estudos, quanto mais diluído for o medicamento, maior será o poder do tratamento. Embora a homeopatia seja criticada e descredibilizada, atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a homeopatia como prática da Medicina Tradicional e Complementar e, no Brasil, essa área foi reconhecida como especialidade médica em 1980.

Por que alguns contestam a eficácia do tratamento?

O conceito de que algumas coisas em altas doses são venenos e em baixas doses são medicamentos é absolutamente um fato, mas para a homeopatia, alguns pesquisadores não acreditam na teoria. (Fonte: Pixabay/Reprodução)O conceito de que algumas coisas em altas doses são venenos e em baixas doses são medicamentos é absolutamente um fato, mas para a homeopatia, alguns pesquisadores não acreditam na teoria. (Fonte: Pixabay/Reprodução)

Segundo o farmacêutico homeopata Alexandre Leonel, a homeopatia funciona e há inúmeros casos de pacientes que se beneficiaram do tratamento. Contudo, há uma ala de cientistas e médicos que não acreditam no processo. Os homeopatas defendem que mesmo quando as substâncias são diluídas, a água tem sua estrutura de ligações de hidrogênio alterada. 

Para May Nyman, professor de química da Oregon State University, essa teoria não faz sentido. Como as moléculas se movem, elas giram, formam ligações de hidrogênio da mesma forma que quebram as ligações. 

Assim, para o pesquisador não há estrutura de solução permanente que poderia manter essa memória de longo prazo. Ainda que existisse a memória, quando o medicamento fosse administrado, toda estrutura do corpo invadiria a água purificada, superando qualquer efeito existente. Além disso, experimentos que afirmam provar a memória da água não podem ser reproduzidos.

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