Nova tecnologia pode ser atalho para atingir o equilíbrio espiritual

A empresa canadense Muse lançou oficialmente seu dispositivo eletrônico de feedback, capaz de treinar a mente do usuário para regular as ondas cerebrais e monitorar atividades regulares do corpo como frequência cardíaca e sono. O aparelho, disponibilizado em formato de tiara, é mais uma aposta da indústria na imersão da chamada "tecnologia do espírito", que busca viabilizar o alcance de estados da mente mais elevados por meio da meditação induzida.

Proposto há uns anos como forma alternativa do tratamento de pessoas com TDAH e PTSD, o dispositivo consiste em uma experiência de autodescoberta, possibilitando o acesso rápido a insights espirituais que podem facilitar a descoberta de respostas sobre o "eu". Dessa forma, a tiara entrega todas as condições para que o usuário possa entrar em um estado de calma e atenção concentrada, rastreando a atividade do cérebro e emitindo sons que orientem adequadamente pelos caminhos da mente.

Para isso, o aparelho conta com sensores de eletroencefalografia (EEG) para rastrear a atividade espontânea do cérebro, sendo suportado por um algoritmo específico que seleciona ondas relacionadas à atenção e ao estresse para poder sugerir uma alternativa viável de autocontrole via smartphone. A partir desse conceito, ele contorna pensamentos negativos e os direciona para o foco de tranquilidade, educando o espírito a tomar iniciativas quanto ao controle próprio.

(Fonte: Muse / Reprodução)(Fonte: Muse / Reprodução)

O Muse Headband é baseado em operações de neuroestímulos que criam uma sensação de formigamento ao enviarem baixos níveis de eletricidade para o seu cérebro, resultando no surgimento de diferentes padrões de atividade. Com isso ele é capaz de colaborar com o alcance de níveis de meditação considerados básicos, fornecendo pistas de leitura que se assemelham a experiências místicas.

Segundo evidências na área científica, a tiara segue sem comprovações de eficiência claras, especialmente se tiver seu uso atrelado ao longo prazo. Porém, os resultados iniciais dos relatórios em humanos apontam uma preocupação relevante para a comunidade acadêmica, que aponta a dissolução do medo e do apego, e a extinção de um senso do "eu" individualizado, ou seja, capaz de tomar as próprias decisões.

Uma experiência autêntica de autodescoberta?

Historicamente, não há um consenso sobre como diferenciar uma experiência de iluminação autêntica. Porém, tendo como referência os povos que praticam meditação e outras atividades relativas ao olhar "para dentro", encontrar respostas dentro da mente é algo que demanda muito tempo e prática. Assim, especialistas sugerem que as práticas de neurofeedback devem ser vistas como um guia e não como uma evolução que possa ser aplicada de forma definitiva ou contínua.

(Fonte: Muse / Reprodução)(Fonte: Muse / Reprodução)

“É possível simplesmente ter experiências que são algo como altas transitórias. Essas experiências incrivelmente poderosas podem mudar completamente sua disposição de assumir algo assim”, esclareceu Wesley Wildman, pesquisador do Centro para Mente e Cultura da Universidade de Boston, ao Vox. "A ideia é que ele (o dispositivo) realmente tenha como alvo a parte desejada do cérebro de tal forma que, com o uso repetido, realmente mudará o cérebro. Isso ajudará a criar essas novas vias neurais", completou a pesquisadora Kate Stockly.

Nas sociedade tradicionais, a experiência espiritual é mentorada por mestres e culturas que moldam a forma como a pessoa extrai significados, funcionando como técnica eficaz para o alcance da tranquilidade e da tão desejada paz interior. Agora, as tecnologias neuroestimulantes surgem como uma alternativa valiosa para quem não tem condições de se elevar a um estado de equilíbrio de forma acompanhada, implementando um projeto que foge bastante do conceito social do método, mas pode colaborar com iniciantes na prática.

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