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Robôs vs. IA: quem é quem na batalha das máquinas?

Um dos grandes pilares da ficção científica, a relação entre robótica e aprendizado de máquina é um dos assuntos que mais vem ganhando relevância no cenário de inovação global, revelando projetos futuristas que há poucas décadas eram possíveis de se imaginar apenas em leituras ou filmes. Agora, com a chegada da inteligência artificial (IA), novas tecnologias vêm sendo discutidas ao mesmo tempo que o público finalmente tem acesso sobre seus propósitos e fundamentos, ainda que os receba com um pouco de receio.

Ex-Machina. (Fonte: A24/Reprodução)Ex-Machina. (Fonte: A24/Reprodução)

A robótica e a inteligência artificial são conceitos irmãos que nasceram na mesma década, em meados de 1950, quando o autor Isaac Asimov escreveu a obra O Mentiroso e se popularizou de vez com o lançamento do clássico Eu, Robô. Os livros, que tratavam costumeiramente sobre revoluções das máquinas e questões envolvendo troca entre os agentes sociais, entregaram o alicerce para o surgimento das primeiras propostas sobre o estudo do machine learning, uma tese recente que se propõe “ensinar” o que fazer para as máquinas.

Na prática, a tecnologia funciona da forma como vemos hoje: robôs com funções cada vez mais especializadas que substituem mão de obra humana em indústrias de larga escala, em ambientes domésticos com limpeza e serviços gerais, como protótipos de testes em experimentos e produções cinematográficas. Desenvolvendo uma “consciência” cada vez mais prestativa através da aquisição de conhecimento gradativa, as máquinas “entendem” não somente seus papéis, mas formas de se sobressaírem em inúmeras situações.

(Fonte: Pinterest / Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Com o tempo, diversos mitos foram sendo criados sobre os robôs, especialmente após a empresa Boston Dynamics compartilhar, em suas redes sociais, vídeos de máquinas se comportando como humanos, em que dançam, correm, atiram, saltam, sentem impactos e muito mais. Será que estamos caminhando para uma era de domínio? O futuro de Asimov está cada vez mais perto de ocorrer e logo teremos vários “R. Daneel Olivaw” ou um “HAL 9000” colonizando nosso planeta?

Robôs e IAs são ameaças para a Terra?

Segundo conceito da NASA, “robôs são máquinas que podem ser utilizadas para realizar serviços. Alguns robôs trabalham por conta própria. Outros robôs devem ter sempre uma pessoa para lhes dizer o que fazer”. Enquanto isso, a inteligência artificial seria “um termo frequentemente aplicado para o projeto de desenvolvimento de sistemas dotados de processos intelectuais característicos de humanos, como a habilidade de racionalizar, descobrir significados, generalizar ou aprender sobre vidas passadas.”

O Homem Centenário. (Fonte: Sony Pictures / Reprodução)O Homem Bicentenário. (Fonte: Sony Pictures/Reprodução)

A combinação entre ambos poderia, no campo das ideias, resultar na existência de um ser poderoso e incontrolável, capaz de se responsabilizar por seus atos e desenvolver consciência própria. Porém, se pegarmos os próprios fundamentos da neurologia, que afirmam que só é possível controlar o corpo por meio de descargas elétricas levadas do cérebro através de terminações nervosas, o risco de uma inteligência artificial se ajustar perfeitamente a um organismo robótico e oco, podendo ser um risco em potencial para a humanidade, é muito pequeno.

Apesar de o conceito de robótica ter sido apresentado oficialmente por Asimov, os robôs são muito mais antigos e remontam até 400 a.C., quando o grego Archytas criou um pássaro voador equipado com um primitivo motor a vapor. Desde então, os projetos de máquinas foram revividos por Leonardo Da Vinci, com o robô Lancelot, e por outros projetistas, mas nunca conseguiram operar para fazer o mal e instalar o caos social, como muitas suposições insistem em relatar.

O robô corrompido

No cinema e na literatura, os robôs foram amplamente concebidos como máquinas malignas, sendo oponentes extremamente bem armados e resistentes que estariam prontos a todo instante para confrontar a humanidade. E vale reforçar que, até mesmo quando a máquina era pacífica, como mostrado em O Homem Bicentenário, de Asimov, foi criado um manual com três regras para impedir que os robôs fossem protagonistas em um apocalipse sem precedente — ou em um possível surto coletivo.

Vingadores: Era de Ultron. (Fonte: Marvel/Reprodução)Vingadores: Era de Ultron. (Fonte: Marvel/Reprodução)

Segundo o autor, os robôs não podem ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal. Esse princípio não poderia ser quebrado em hipótese alguma, mesmo que a máquina receba ordens diretas de extermínio ou que perceba uma ameaça iminente à sua própria existência. Porém, no fim das contas, a história vinha sempre com a mesma lição de moral: não confie em máquinas.

E para piorar, por décadas os robôs foram representados em um formato de humano, distribuídos em categorias de androides (máquinas propriamente ditas, mas com físico antropomórfico) e ciborgues (humanos modificados com peças de metal), assustando milhões de pessoas que se chocavam com a semelhança à raça dominante, em relação às expressões faciais, aos gestos ou à textura corporal.

(Fonte: Boston Dynamics / Reprodução)(Fonte: Boston Dynamics/Reprodução)

Com o tempo, essa ideia de robô corrompido com inteligência artificial tendendo à consciência própria foi quebrada pela indústria e as pessoas aceitaram equipamentos eletrônicos com boa usabilidade, mas sem riscos de se rebelarem, digamos assim. Hoje, as casas são equipadas com lava-louças, micro-ondas, aspiradores de pó e assistentes virtuais como Alexa, Siri e Google, que não oferecem riscos maiores para os consumidores e não causam desconforto.

Medo da falta de empatia?

Talvez um dos maiores receios sobre os robôs seja a incerteza a respeito da personalidade da máquina, já que as pessoas costumam temer seres que não apresentam emoções ou propriedades inerentes à alma humana. Assim, uma coisa criada artificialmente não precisaria de motivos para se voltar contra seus criadores, chegando a causar um efeito dominó de não reconhecimento, ou seja, capaz de pensar que todos os humanos, por serem similares, são considerados inimigos.

“Quando focamos tanto nossa atenção em cenários improváveis, corremos o risco de ignorar outros problemas relacionados à IA que são urgentes e evitáveis”, esclarece o Dr. Chris Berent, da Universidade de Santa Barbara, Califórnia. “Antes de darmos a esses perigos reais a atenção que eles merecem, devemos controlar nossos medos irracionais que surgem de dentro.”

De fato, o avanço das indústrias e das tecnologias gerou resultados imediatos na vida humana, assim como muitas facilidades em decorrência de um conjunto de esforços que lidam, diariamente, com as melhores formas de aliar a robótica com os estudos do machine learning.

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