Cientistas recorrem a Darwin na luta contra o aquecimento global

É fato que o trabalho de Charles Darwin mudou a forma como vemos a interação entre as espécies. O pai da Teoria da Evolução mostrou que os seres vivos buscam se adaptar aos desafios dos ambientes em que vivem com o único objetivo de fazer com que a espécie sobreviva.

Atualmente, líderes de todo o mundo têm-se reunido para buscar uma solução para a crise climática que se aproxima e, com isso, garantir a sobrevivência de uma espécie específica: a humana.

Por incrível que pareça, cientistas de vários países têm percebido que as ideias de Darwin podem nos ajudar a vencer os desafios que se aproximam, mesmo tendo sido publicadas há mais de 100 anos.

Não basta plantar árvores. É preciso que elas sejam saudáveis

Plantar árvores sem nenhum critério pode não ser uma boa ideia na luta contra o aquecimento global. No capítulo IV do livro A Origem das Espécies, Charles Darwin explica que as florestas mistas são mais resistentes, vencendo pragas e obtendo nutrientes de forma mais eficiente.

Escolhendo espécies que contribuam entre si, é possível ter florestas que absorvam mais carbono da atmosfera. Imagem: ShutterstockEscolhendo espécies que contribuam entre si, é possível ter florestas que absorvam mais carbono da atmosfera. Imagem: Shutterstock

Cientistas estão partindo dessa ideia para produzir florestas mais eficazes na captura de carbono da atmosfera. Dessa forma, será possível usar toda capacidade das árvores para absorver uma quantidade muito maior de gases responsáveis pelo aquecimento global.

Com árvores mais saudáveis, ainda se reduz o custo de manutenção dessas florestas, pois elas precisarão de menos cuidados relacionados às pragas, como fungos e bactérias. Em uma floresta mista, com espécies escolhidas a dedo, cada planta desempenha um papel, visando à eficiência — é algo complexo, que obedece a um planejamento cauteloso.

O problema das espécies invasoras

Caso você esteja pensando em sair por aí plantando árvores pelo bairro, tome cuidado para não incluir espécies invasoras no ambiente.

Ainda que os cientistas recomendem o plantio de espécies diversas, é preciso respeitar a flora local.

Florestas de pinheiros plantadas no Brasil podem impedir o crescimento de outras plantas, reduzindo a capacidade de absorção de gases causadores do efeito estufa. Imagem: ShutterstockFlorestas de pinheiros plantadas no Brasil podem impedir o crescimento de outras plantas, reduzindo a capacidade de absorção de gases causadores do efeito estufa. Imagem: Shutterstock

Se você mora perto do litoral, não plante pinus, por exemplo. Por ser uma espécie nativa de regiões frias, como o Canadá, essa planta tende a lutar por cada centímetro de água do solo, matando as plantas que estiverem ao seu redor.

Então, se você quiser seguir a dica dos pesquisadores sobre florestas mistas, escolha mais de uma espécie do mesmo bioma. Dessa forma, elas terão uma integração mais harmônica.

Florestas saudáveis fornecem madeira de forma constante

Boa parte da madeira que consumimos vem de florestas próprias para o corte. Essas florestas priorizam espécies que crescem rápido, como o pinus. Contudo, florestas de espécies nativas, quando plantadas de forma planejada, também podem fornecer madeira constantemente. Tudo isso enquanto contribuem para a absorção de carbono da atmosfera.

Pelo menos é isso que sugere a cientista Christine Foyer, em sua coluna no portal The Conversation.

Você sabia que o Mega Curioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.