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Tomar doses pequenas de veneno nos torna imunes a ele?

Sabe aquela frase que diz: a diferença entre o remédio e o veneno é a dose? Pois bem, muita gente se pergunta se é real que, se tomássemos pequenas doses de veneno, poderíamos ficar imunes a ele.

Essa preocupação não é nova e já existia na Antiguidade. Uma história famosa é a do rei Mitríades, um turco que morria de medo de ser assassinado: em 120 a.C., seu pai havia sido envenenado, supostamente por meio de uma conspiração feita por sua esposa.

Traumatizado, Mitríades resolveu passar a beber uma pequena dose de veneno todos os dias na tentativa de desenvolver imunidade. Ele ia aumentando a quantidade: uma gota num dia, duas no outro, três no próximo, e assim por diante.

Em uma batalha contra o Império Romano, em 66 a.C., Mitríades foi derrotado e preso. Ele foi então condenado a cometer suicídio tomando o mesmo veneno que matou seu pai. Mas como ele já havia desenvolvido uma imunidade, Mitríades sobreviveu.

Em sua homenagem, esta prática acabou sendo chamada de mitridização. A palavra denomina o processo de sensibilização dos organismos vivos por doses crescentes de veneno, de forma a desenvolver anticorpos a eles. Mas será que sempre dá certo?

A mitridização funciona?

(Fonte: Medium)(Fonte: Medium)

A resposta é: sim e não. A capacidade de um organismo de tolerar veneno vai depender de sua capacidade de metabolizar esta substância em uma forma menos tóxica. Isto é feito pelo fígado, que contém enzimas que agem nesta composição. É o que o corpo faz, por exemplo, com o álcool. Conseguimos digerí-lo, mas em grandes quantidades pode ser fatal.

Este é o mesmo princípio de funcionamento de várias vacinas. A da varíola, por exemplo, foi descoberta depois que uma aristocrata inglesa chamada Mary Wortley Montagu notou que mulheres na Ásia aplicavam pequenas doses de pus nos seus filhos e assim eles acabavam não desenvolvendo a doença, que era fatal.

Mas, novamente, a questão é a dose e a capacidade do organismo. Em uma pessoa que bebe com frequência e em grande quantidade, o fígado pode ser estimulado a acelerar nesta metabolização, construindo um tolerância maior. O resultado é que a pessoa passa a beber cada vez mais e acaba desenvolvendo uma doença hepática.

O homem que injeta veneno de cobra

(Fonte: Pal Hansen)(Fonte: Pal Hansen)

Esta prática da ingestão regular de veneno continua sendo usada até hoje, embora não seja recomendada pelos médicos. Um músico americano chamado Steve Ludwin mantém em sua casa 17 cobras (15 delas venenosas) e diz que injeta o veneno delas há mais de 30 anos. A primeira vez que ele fez isso foi em 1988.

Ele diz que acredita que o veneno o torne mais jovem, mas não há evidências científicas disso. No entanto, ele viaja regularmente para a Dinamarca, onde um grupo de pesquisadores da Universidade de Copenhague coleta seu sangue para analisar. A expectativa é que esta pesquisa consiga gerar um antídoto universal para todas as picadas de cobra.

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