Aproximação facial revela rosto de brasileiro de 9.600 anos

23/02/2023 às 02:002 min de leitura

Em 1997, o esqueleto de um homem foi descoberto na Toca dos Coqueiros, um sítio arqueológico no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí. Ele estava enterrado em posição fetal e foi identificado como uma mulher que viveu há 11 mil anos. Na ocasião, a equipe de arqueólogos responsável pela descoberta, batizou o esqueleto de Zuzu.

Agora, com novas técnicas de análise, foi possível fazer uma estimativa mais precisa da idade. Além disso, um estudo que envolveu aproximação facial — um método forense que busca criar uma expressão facial a partir de um crânio — fez com que os pesquisadores considerassem a possibilidade de Zuzu ter sido um homem.

Um brasileiro muito antigo

Esqueleto de Zuzu quando foi descoberto, em 1997. (Fonte: Revista Pesquisa FAPESP)Esqueleto de Zuzu quando foi descoberto, em 1997. (Fonte: Revista Pesquisa FAPESP)

Quando Zuzu foi descoberto, não havia colágeno e outros tecidos que permitissem determinar a sua idade. Isso fez com que a equipe optasse por estabelecer a idade a partir de um pedaço de carvão embutido no calcanhar direito do esqueleto. O material tinha aproximadamente 11 mil anos e essa foi a primeira idade atribuída ao esqueleto. 

Existem poucos esqueletos encontrados no Brasil com essa idade. Atualmente, o mais antigo é o de Luzia, uma mulher adulta que morreu entre 12,5 mil e 13 mil anos atrás no que hoje é o município de Lagoa Santa, na região central de Minas Gerais.

“Com exceção de Luzia e mais um ou dois casos, quase todo o material humano encontrado em Lagoa Santa tem entre 9 mil e 10 mil anos, a mesma idade agora atribuída a Zuzu”, explica o bioantropólogo Walter Neves, do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da USP. 

Para conseguir estabelecer com mais precisão o período que Zuzu viveu, foi feita a datação direta de íons de carbonato (CO3) do esmalte dentário. A partir de isótopos radioativos de carbono encontrados em dois molares, os cientistas conseguiram afirmar que o esqueleto tem algo entre 9.526 e 9.681 anos. Essa data também é uma aproximação, uma vez que o carbonato de material do ambiente mais recente que o esqueleto pode ter se integrado aos dentes após a morte.

Aproximação facial

(Fonte: Revista Pesquisa FAPESP)(Fonte: Revista Pesquisa FAPESP)

Desde a descoberta do esqueleto, muitos arqueólogos questionaram a definição de Zuzu como mulher. Para tentar responder essa questão, os pesquisadores tiraram dezenas de fotos de diferentes ângulos do crânio de Zuzu. Usando uma técnica conhecida como fotogrametria, foi possível juntar as imagens para criar um modelo 3D virtual do crânio para revelar sua possível face.

“Embora o crânio tenha afinidade com uma população asiática, entre os indivíduos de tal ancestralidade há um grande número de diferenças estruturais, que são contornadas fechando as pálpebras”, escreveram os pesquisadores no estudo. "A imagem também foi renderizada em tons de cinza (preto e branco), pois não há informações precisas sobre a cor da pele. Portanto, essa imagem seria a mais próxima do que o rosto real poderia ser".

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