Seja o primeiro a compartilhar

Milhares de fósseis de dinossauros foram destruídos nos EUA

O governo dos Estados Unidos anunciou a descoberta de um esquema de contrabando e destruição de ossos de dinossauros que ocorria desde 2018 em terras que pertencem ao estado de Utah. Relatórios oficiais falam em milhares de fósseis contrabandeados ou destruídos, entre ossos de dinossauros e outros itens com igual valor histórico. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o valor contrabandeado chega a US$ 1 milhão.

Muitos desses fósseis eram enviados a outros países, como a China. Neste caso, os contrabandistas os mandavam com outros materiais coletados, como rochas ou produtos para a indústria da construção. Em outros, os fósseis eram completamente destruídos. Isso ocorria para a produção de insumos industriais, igualmente contrabandeados.

“Ao remover e processar esses ossos de dinossauros para produção de produtos de consumo, com fins lucrativos, dezenas de milhares de quilos de fósseis de dinossauros perderam praticamente todo o valor científico, deixando as gerações futuras incapazes de experimentar a ciência e a maravilha desses ossos”, disse a procuradora dos Estados Unidos, Trina Higgins, em um comunicado à imprensa.

Fósseis viraram até objetos de decoração

Escultura feita com fóssil. (Fonte: Reprodução: Departamento de Justiça dos EUA)Escultura feita com fóssil. (Fonte: Reprodução: Departamento de Justiça dos EUA)

Os fósseis contrabandeados não serviam a um único objetivo. Muitos deles viravam kits de escavação de dinossauros. Esses kits são comercializados com o objetivo de estimular as pessoas a procurarem fósseis sem estarem vinculados a uma pesquisa científica, como se fosse parte de um passatempo.

Outros itens foram esculpidos e acabaram se desfigurando totalmente. Nesse caso, a ideia era usá-los como base para a criação de objetos de decoração, como cabos de facas, joias, esferas polidas (similares a bolas de boliche), esculturas, entre outros.

Contrabando de fósseis é altamente lucrativo

(Fonte: Divulgação: Departamento de Justiça dos EUA)(Fonte: Divulgação: Departamento de Justiça dos EUA)

Esse tipo de contrabando costuma ser muito vantajoso para os criminosos. No ano passado, agentes do FBI interceptaram um carregamento de fósseis saindo do estado da Califórnia e com destino a China. O valor da apreensão foi de aproximadamente US$ 25 mil (cerca de R$ 100 mil).

Em 2006, agentes estadunidenses fizeram uma apreensão que continha até ovos de dinossauros. O valor do contrabando era equivalente a US$ 10 mil (valores da época).   

É crime vender fósseis?

Nós já publicamos aqui no Mega Curioso uma matéria explicando como funciona (e se é permitido) o comércio de fósseis. Nos Estados Unidos, a legislação varia de estado para estado.

Vender fósseis, inclusive para outros países, não é considerado crime desde que a exploração ocorra em terras particulares. No caso relatado nesta matéria, o crime está em explorar terras que pertencem ao estado de Utah.

Logo, os contrabandistas estão lesando os interesses desse estado. Além disso, uma das características do contrabando é a sonegação fiscal. É permitido vender ossos de dinossauros no estado de Utah, mas essa atividade é tributada e o contrabandista opta por sonegar os impostos, aumentando a sua margem de lucro.

Portanto, todos esses fósseis destruídos não teriam se tornado um caso de polícia se essa exploração tivesse sido feita em terras particulares e o comércio tivesse sido tributado — ainda que essa atividade cause um prejuízo aos cientistas que não terão acesso aos itens.

Essa, aliás, é uma reclamação comum da comunidade científica sobre a legislação estadunidense, considerada muito permissiva. A verdade é que o comércio de fósseis gera milhões de dólares anuais em receitas e os EUA, devido à sua geografia, se destacam nesse mercado.

Na maior parte dos países, o comércio de fósseis obedece a leis mais restritivas, sendo até mesmo proibido em muitos lugares. No Brasil, por exemplo, ele não é permitido.

Você sabia que o Mega Curioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.