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Rato gigante é filmado quebrando cocos nas ilhas Salomão

Pela primeira vez na história, pesquisadores fotografaram o raro e esquivo rato-gigante-de-vangunu, uma espécie criticamente ameaçada descrita pela primeira vez em 2017. As descobertas, publicadas na revista Ecology and Evolution, detalham como pesquisadores da Universidade de Melbourne e da Universidade Nacional das ilhas Salomão montaram uma série de armadilhas fotográficas para finalmente conseguir obter imagens desse roedor gigante.

De acordo com os investigadores, o rato-gigante-de-vangunu tem pelo menos o dobro do tamanho de um rato comum e é conhecido por viver nas árvores de Vangunu, nas Ilhas Salomão. Esse roedor também se destaca por sua capacidade de mastigar cocos com seus dentes. Contudo, ainda há muito sobre essa espécie que permanece desconhecido.

Fotos inéditas

(Fonte: Universidade de Melbourne/Divulgação)(Fonte: Universidade de Melbourne/Divulgação)

Em comunicado oficial, o principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Melbourne, Tyrone Lavery, comentou sobre o processo de trabalho. "Captar imagens do rato-gigante-de-vangunu pela primeira vez é uma notícia extremamente positiva para esta espécie pouco conhecida", disse. Segundo Lavery, a descoberta surgiu num momento crítico para o futuro das florestas de Vangunu — que tem sido defendida da exploração madeireira pela comunidade de Zaira há 16 anos.

Os pesquisadores rotularam o rato-gigante-de-vangunu como uma espécie criticamente ameaçada em resposta direta ao desmatamento que ameaça também as florestas da ilha. Ironicamente, no entanto, foi justamente a indústria madeireira que tornou a descoberta possível. “A derrubada de uma grande árvore de habitat feriu mortalmente um dos roedores que devia estar se abrigando em algum lugar de sua copa ou cavidades”, escreveram os pesquisadores.

O estudo marcou a descoberta da primeira nova espécie de roedor descrita nas Ilhas Salomão em 80 anos, despertando um interesse científico global. Em análises aprofundadas, os pesquisadores perceberam que estes roedores provavelmente habitavam apenas a maior área remanescente das florestas primárias de Vangunu, conhecida como Área de Gestão de Recursos Comunitários de Zaira. 

Resgate da espécie

(Fonte: Universidade de Melbourne/Divulgação)(Fonte: Universidade de Melbourne/Divulgação)

Segundo os cientistas, as imagens obtidas do rato-gigante-de-vangunu mostram que as florestas primárias de Zaira são o último habitat remanescente para a espécie. Embora o roedor não tenha sido descrito cientificamente até 2017, a população local já tinha conhecimento que o animal vivia entre as copas das árvores há muito tempo. Essa informação revelou-se crucial para o sucesso da investigação.

De acordo com o autor sênior Kevin Sese, da Universidade Nacional das Ilhas Salomão, o conhecimento e a consciência do povo Vangunu sobre essas criaturas serviram de guia para o trabalho de campo que levou os pesquisadores a captar 95 imagens desses ratos raros. No total, quatro indivíduos foram avistados em Zaira.

Como próxima etapa, os pesquisadores pretendem aprender mais sobre a espécie, mas garantem que captar fotografias é um primeiro passo importante para garantir a sua sobrevivência. Graças às novas imagens do rato-gigante-de-vangunu, é possível que a comunidade local invista mais em medidas visando prevenir a extinção dessas criaturas ameaçadas e também na melhora do estado de conservação destes roedores. 

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