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O centro da Terra é mais jovem que o resto do planeta, mas por quê?

Aqui vai uma curiosidade para lá de interessante e que, embora tenha uma explicação bastante simples, pode parecer estranhamente complexa: o centro da Terra é aproximadamente dois anos mais jovem que a superfície do nosso planeta. É sério!

Tal possibilidade já havia sido levantada pelo físico teórico Richard Feynman, na década de 1960, quando ele sugeriu que o centro do planeta era "um ou dois dias" mais jovem. Mas somente em 2016 um time de cientistas conseguiu chegar a uma conclusão sobre o tema. Após diversos cálculos complexos, eles chegaram à conclusão de que o núcleo da Terra é 2 anos e meio mais novo do que o resto do nosso planeta.

Núcleo do planeta é mais jovem do que o resto da Terra

Ainda que esta informação possa parecer extremamente confusa e sem sentido, é preciso primeiro explicar que há cerca de 4,6 bilhões de anos uma nuvem espacial que orbitava o Sol. Em um dado momento, esta nuvem esfriou e diversos elementos ali presentes começaram a se atrair, formando o que seria o núcleo do nosso mundo. Mais e mais elementos e poeira espacial foram sendo atraídos pela força gravitacional até que o planeta estava finalmente formado.

Alguns bilhões de anos atrás, quando nosso planeta se formava no espaço, núcle e superfície tinham a exata mesma idade (Fonte: Getty Images/Reprodução)Alguns bilhões de anos atrás, quando nosso planeta se formava no espaço, núcle e superfície tinham a exata mesma idade (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Obviamente esta foi uma explicação muito reduzida e simplificada, mas foi mais ou menos isso o que rolou bilhões de anos atrás. Na época, naquele momento, todo o planeta tinha exatamente a mesma idade. Porém, com o passar dos milênios, a situação começou a mudar e hoje o centro da Terra é mais novo do que sua superfície por um simples motivo: a dilatação do tempo.

A relação entre gravidade e tempo

Quem assistiu ao filme Interestelar deve lembrar que em um certo ponto da trama os protagonistas vão parar em um planeta de gravidade bem alta. Ali, o tempo se comportava de maneira diferente, passando muito mais lentamente do que em locais com gravidade mais baixa — como explicado pela teoria da relatividade geral de Einstein.

O princípio aqui é o mesmo: como a força gravitacional é maior no núcleo, onde a matéria é muito mais densa, o tempo ali passa um pouco mais devagar do que onde estamos, aqui em cima. Mas esta diferença não é tão grande a ponto de gerar uma discrepância muito alta entre a passagem de tempo no núcleo e na superfície do planeta.

Dilatação do tempo em diferentes níveis de atração de campos gravitacionais explica a diferença de idade entre o núcleo e a superfície da Terra (Fonte: Getty Images/Reprodução)Dilatação do tempo em diferentes níveis de atração de campos gravitacionais explica a diferença de idade entre o núcleo e a superfície da Terra (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Com base na teoria de Einstein e na sugestão de Feynman nos anos 1960, cientistas fizeram novos cálculos com base na diferença da gravidade no núcleo e na superfície da Terra. Sua conclusão foi a de que, embora pequena, existe sim uma diferença na idade do centro do planeta por conta da dilatação do tempo em gravidades mais altas. A descoberta foi publicada no periódico European Journal of Physics.

"Apesar do pequeno erro numérico, a observação de Feynman de que o centro da Terra é mais jovem do que sua superfície é uma fascinante demonstração de dilatação do tempo na relatividade", disseram os cientistas na publicação. Para eles, este um ótimo exemplo que pode ser utilizado em aulas de física para ilustrar a relação entre tempo e gravidade.

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