Seja o primeiro a compartilhar

Theia: o planeta que teria colidido com a Terra e originado a Lua

Não muito tempo após o Sol e os planetas começarem a tomar forma, um objeto protoplanetário do tamanho aproximado de Marte — metade do tamanho da Terra — teria colidido com o nosso planeta ainda em resfriamento: Theia, como era chamado. Essa colisão fez com que muita matéria fosse enviada para o espaço, principalmente do nosso planeta, uma vez que Theia foi quase totalmente vaporizada no embate. 

Acontece que na mitologia grega, Theia é mãe de Selene, deusa da Lua. E tudo isso tem um grande motivo, uma vez que pesquisadores acreditam fielmente que o nosso satélite surgiu dessa colisão. Contudo, ao contrário do que antes acreditávamos, é possível que Theia não tenha sumido de vez após esse evento.

Surgimento da Lua

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

As rochas lunares têm uma assinatura química semelhante a muitas das rochas vulcânicas da Terra, sugerindo uma história de origem partilhada. A matéria radioativa dentro dessas rochas, que funciona como um cronômetro que começou a funcionar quando as rochas se formaram, mostra que a Lua surgiu logo depois da Terra.

O único problema desta saga científica é o que aconteceu com a culpada Theia após o impacto com a Terra. Para realmente estabelecer uma hipótese, o ideal seria encontrar alguma parte do protoplaneta — mas há muito se pensa que quaisquer fragmentos sobreviventes foram enviados para o espaço sem fim há bilhões de anos. É quase certo que parte da Lua é feita da matéria de Theia, mas está tão completamente misturada na química lunar que identificá-la é praticamente impossível. 

Contudo, nas margens do núcleo da Terra existem duas bolhas gigantes: uma abaixo da África e outra abaixo do Pacífico. O problema é que ninguém sabe ao certo o que elas são. As ondas sísmicas que atravessam profundamente o planeta revelam a sua existência e o seu tamanho expansivo. Mas a sua química, natureza e proveniência não são claras desde que foram descobertas há décadas. Porém, e se estas duas bolhas fossem a carcaça de Theia, ou pelo menos partes dela? É isso que cientistas têm se questionado. 

Busca por evidências

(Fonte: Getty Images)(Fonte: Getty Images)

De acordo com um estudo publicado na revista Nature em 2023, é possível, sim, que as bolhas misteriosas sejam parte do protoplaneta perdido. Simulações computacionais de última geração da hipotética colisão mostram que a crosta externa de Theia teria sido destruída durante a colisão, mas seu manto derretido semelhante a uma massa teria sobrevivido parcialmente.

Parte dele teria caído na Terra coberta de magma. Sendo ricos em ferro e, portanto, muito densos, esses fragmentos titânicos teriam então afundado até maiores profundidades e assentado no topo do núcleo de ferro, onde permanecem até hoje. Porém, como não há como extrair pedaços não adulterados da Terra em localizações tão profundas, tudo ainda é uma grande teoria.

Por fim, essas bolhas que podem ser os restos mortais de Theia não são tão passivas quanto parecem. O calor da fronteira núcleo-manto da Terra parece estar causando uma agitação dentro delas, o que gera explosões de matéria superaquecida. Por sua vez, algumas dessas plumas atingem a base de placas tectônicas, alimentando erupções vulcânicas em todo o mundo. 

Você sabia que o Mega Curioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.