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'Velhas fumantes': astrônomos detectam novo tipo de estrela na Via Láctea

Um novo tipo de estrela, até hoje totalmente desconhecido dos astrônomos, foi descoberto por caso: as “as velhas fumantes”. Enquanto varria o coração da Via Láctea em busca de estrelas recém-nascidas, uma equipe internacional de pesquisadores se deparou com esses objetos misteriosos que às vezes se tornam praticamente invisíveis, para em seguida expelirem grossas nuvens de fumaça.

Liderados pelo professor Philip Lucas, da Universidade de Hertfordshire, em Hatfield no Reino Unido, os cientistas conseguiram detectar essa nova espécie de estrela "oculta" após monitorar quase um bilhão de estrelas em luz infravermelha, durante um período de dez anos do céu noturno. 

De acordo com o artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, além das velhas fumantes, foram também detectadas dezenas de estrelas recém-nascidas também pouco vistas, e conhecidas como protoestrelas. Chamadas de "recém-nascidas choronas", elas sofrem explosões extremas durante meses, anos ou até décadas, no processo de formação de um sistema solar próprio.

Como os pesquisadores detectaram essas estrelas ocultas?

(Fonte: Philip Lucas/Universidade de Hertfordshire)(Fonte: Philip Lucas/Universidade de Hertfordshire)

Na busca das protoestrelas, os pesquisadores analisaram os dados de dez anos de observações do Telescópio de Pesquisa Visível e Infravermelho (VISTA), no deserto do Atacama no Chile, que observa justamente esse tipo de objetos celestes que mudam de brilho ao longo do tempo. 

Para tornar sua busca mais específica, eles refinaram o gigantesco número de estrelas para apenas 222 objetos cujas mudanças de brilho haviam sido mais drásticas, além de mais facilmente identificáveis com tipos de eventos conhecidos. 

Em seguida, reanalisaram os espectros destes últimos com o Very Large Telescope (VLT), um conjunto de quatro telescópios ópticos também localizados no Observatório do Paranal.

A descoberta da fumaça das velhas fumantes

(Fonte: Philip Lucas/Universidade de Hertfordshire)(Fonte: Philip Lucas/Universidade de Hertfordshire)

Enquanto a equipe se dedicava a classificar 32 protoestrelas em erupção, cujo brilho chega a aumentar em mais de 300 vezes, a equipe foi surpreendida com uma ocorrência totalmente inesperada. Os espectros de sete das estrelas observadas apresentaram um comportamento totalmente bizarro, quando comparados com os dados de pesquisas anteriores. 

Eram com certeza estrelas gigantes vermelhas, porém de uma espécie desconhecida dos astrônomos. “Estas estrelas idosas permanecem quietas durante anos ou décadas e depois expelem nuvens de fumaça de uma forma totalmente inesperada", explicou em um release o professor Dante Minniti, da Universidade Andrés Bello, no Chile, o fundador da pesquisa VVV (Variáveis VISTA na Via Láctea).

Segundo o principal autor do estudo, professor Philip Lucas, da Universidade de Hertfordshire, "a matéria ejetada de estrelas antigas desempenha um papel fundamental no ciclo de vida dos elementos, ajudando a formar a próxima geração de estrelas e planetas”. Liberando sua fumaça de tempos em tempos, elas atuam como avôs contando às novas gerações, histórias sobre os elementos mais pesados do Universo.

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